O Goldman Sachs elevou suas projeções para a Petrobras, antecipando o pagamento de dividendos de US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2026. Apesar de um cenário de custos de transporte marítimo em ascensão, que pode mitigar os benefícios do petróleo mais caro, o banco reafirmou sua preferência pela estatal brasileira entre as empresas de óleo e gás da América Latina. As projeções revisadas refletem um aumento nas estimativas para o preço do Brent e um Ebitda ajustado superior para os próximos anos.
Cenário de Petróleo e Custos de Frete
O recente aumento nas cotações do petróleo Brent, com projeções elevadas para 2026 e 2027, inicialmente favorece as petroleiras. No entanto, o Goldman Sachs aponta para um contraponto significativo: o disparo nos custos do frete marítimo de petróleo do Brasil para a China. Este custo saltou para US$ 24 por barril em setembro, um aumento expressivo em relação aos trimestres anteriores e ao ano de 2025. Essa disparada pode corroer os preços efetivamente recebidos pelas empresas, especialmente aquelas com grande volume de exportações para a Ásia. A defasagem nos preços de exportação, com contratos definidos com cerca de um mês de antecedência, significa que parte do impacto positivo da valorização recente do Brent pode se manifestar apenas no quarto trimestre.
Investimentos e Produção em Alta
Paralelamente, o Goldman Sachs aumentou suas expectativas de investimento (capex) para a Petrobras, projetando cerca de US$ 20,5 bilhões para 2026 e um valor similar para 2027. Esse montante representa um acréscimo de aproximadamente 20% em relação à orientação original da companhia, impulsionado, em parte, pela antecipação da conexão de novas plataformas no campo de Búzios. Embora um capex maior possa, em tese, reduzir o espaço para distribuição de dividendos, o banco vê essa aceleração como um esforço estratégico para antecipar novas unidades e mitigar riscos futuros na trajetória de produção. As projeções de produção da Petrobras para 2026 e 2027 também foram elevadas pelo Goldman, superando o guidance da empresa em 9% e 14%, respectivamente. Para o terceiro trimestre de 2026, a produção total é estimada em 3,471 milhões de barris de óleo equivalente por dia, um aumento de 10% em relação ao ano anterior.
Margens de Refino e Preferência pela Petrobras
As margens de refino, especialmente para o diesel, também são um ponto de atenção. Embora os spreads de diesel na Costa do Golfo dos EUA tenham atingido patamares elevados, o benefício para a Petrobras no terceiro trimestre pode ser limitado pela diferença entre os preços domésticos e internacionais. O banco estima que os preços da estatal estejam cerca de 21% abaixo da paridade internacional. Contudo, a combinação da exposição ao mercado de petróleo e diesel, o crescimento projetado na produção e um valuation atrativo sustentam a preferência do Goldman Sachs pela Petrobras. A instituição também mantém recomendação de compra para a PRIO (PRIO3), embora com um preço-alvo reduzido e menores projeções de dividendos para os próximos anos, citando maior volatilidade do petróleo.
Perguntas em Aberto
Apesar das projeções otimistas, o impacto total da alta dos custos de frete marítimo e a capacidade da Petrobras de repassar esses custos aos preços finais permanecem como pontos de atenção. A defasagem nos preços de exportação e a dinâmica entre os preços domésticos e internacionais de combustíveis também exigirão acompanhamento. A forma como a Petrobras gerenciará seus investimentos expandidos sem comprometer excessivamente a distribuição de dividendos será crucial para a percepção do mercado. A capacidade da estatal de sustentar o crescimento da produção e capturar os benefícios de um cenário de petróleo mais caro, mesmo diante de ventos contrários logísticos, definirá seu desempenho futuro.
A análise do Goldman Sachs sugere um trimestre robusto para a Petrobras, com potencial para retornos significativos aos acionistas, mas a execução estratégica diante de desafios logísticos e de precificação será determinante. O mercado observará atentamente como a companhia navegará por essas complexidades nos próximos relatórios financeiros. Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





