As tentativas de golpes bancários no Brasil atingiram patamares alarmantes, com um crescimento de 140% em fraudes de personificação e impressionantes 340% em fraudes envolvendo celulares roubados nos últimos 12 meses. Esses números, divulgados pelo relatório Global Scams 2026 da BioCatch, que compila dados de mais de 370 instituições financeiras globais, indicam uma sofisticação crescente das táticas criminosas, impulsionada em grande parte pela inteligência artificial. A IA, segundo Thomas Peacock, diretor global de inteligência contra fraudes da BioCatch, reduziu significativamente a barreira de entrada para aspirantes a golpistas, permitindo a criação de esquemas mais elaborados e convincentes em uma escala sem precedentes.
O Cenário Brasileiro e a Escalada da Fraude
O cenário brasileiro se destaca pela magnitude desses aumentos, superando a média de crescimento de 35% em tentativas de golpe observada globalmente. O celular consolidou-se como o principal vetor de ataque, respondendo por nove em cada dez sessões de golpe registradas. No Brasil, onde 78% das transações bancárias ocorrem via mobile, totalizando 187,5 bilhões de operações anuais, essa dependência digital se traduz em maior vulnerabilidade. A fraude tradicional não autorizada, por exemplo, já tem 75% de suas operações originadas em dispositivos móveis. Além disso, as fraudes com ferramentas de acesso remoto apresentaram um aumento de 409% na América Latina. Essa conjuntura desafia os bancos a irem além das defesas tradicionais, que muitas vezes se mostram insuficientes quando o próprio cliente, autenticado corretamente, é quem realiza a transação sob coação ou engano.
A Resposta dos Bancos: Inteligência Comportamental e IA
Diante desse quadro, os bancos brasileiros têm intensificado o uso de inteligência comportamental como ferramenta estratégica. A pesquisa The Future of Digital Trust 2026 revelou que 89% dos líderes de fraude, risco e compliance no país relataram um aumento nas tentativas de golpe, superando a média global. Um dado preocupante é a identificação de deepfakes por 63% dos executivos brasileiros, ante 50% globalmente, com 90% prevendo que a IA agêntica será a maior vulnerabilidade do setor. Em resposta, 70% das instituições brasileiras priorizam a detecção de fraude em tempo real com IA, acima da média global de 60%. A análise comportamental e de intenção também ganha força, sendo prioridade para 43% dos líderes brasileiros, contra 27% no mundo. Essa abordagem visa identificar sinais sutis de manipulação e coação antes que uma transação seja concluída, mesmo quando realizada pelo cliente legítimo.
Desafios e o Futuro da Segurança Bancária
O principal desafio reside em distinguir uma transação legítima de uma forçada. Diego Baldin, diretor da BioCatch para a América Latina, destaca que a inteligência comportamental é fundamental para discernir se a decisão de transferir fundos é genuinamente do cliente ou se ele está sendo manipulado. Embora os golpes com falsas ofertas de emprego tenham apresentado o maior crescimento (258%), as fraudes de investimento continuam sendo as mais custosas, com perdas médias de US$6.600. Os golpes de compra permanecem os mais comuns, respondendo por um terço das tentativas. A velocidade de resposta e a capacidade de adaptação das instituições financeiras serão cruciais para mitigar os riscos em um ambiente digital cada vez mais complexo e propenso a novas formas de engenharia social.
O cenário atual exige uma vigilância constante e um investimento contínuo em tecnologias de segurança que vão além da autenticação tradicional. A capacidade de interpretar o comportamento do usuário em tempo real, aliada ao uso estratégico da IA, parece ser o caminho mais promissor para proteger tanto os clientes quanto as instituições financeiras contra as ameaças em evolução. A batalha contra as fraudes bancárias está longe de terminar, e a inovação tecnológica será, sem dúvida, um campo de batalha central.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





