O conselheiro de Empresa, Autônomos e Energia das Baleares, Alejandro Sáenz de San Pedro, declarou que os objetivos do governo regional em relação às mudanças climáticas permanecem "intactos". Segundo ele, a estratégia atual visa uma redução consistente das emissões de gases de efeito estufa e uma maior penetração de fontes de energia renovável no arquipélago.

As declarações foram feitas em resposta a questionamentos do deputado socialista Carles Bona, no Parlamento das Baleares, sobre as políticas climáticas e de transição energética do governo. Sáenz de San Pedro argumentou que a essência dos objetivos não mudou, mas sim a metodologia para alcançá-los, focando em "menos burocracia, mais planejamento e mais execução" para reduzir a dependência energética externa.

Simplificação e Autoconsumo

O conselheiro destacou que a "simplificação administrativa" tem sido um fator chave para agilizar a transição energética. Ele citou a instalação de 187 MW de autoconsumo, de um total de cerca de 300 MW de potência nas Baleares, como um avanço significativo. Essa expansão teria gerado uma economia estimada de 30 milhões de euros para particulares e empresas em suas contas de eletricidade, além de ter distribuído cerca de 160 milhões de euros em subsídios.

Sáenz de San Pedro também mencionou a utilização de espaços já transformados para a instalação de painéis fotovoltaicos, como reservatórios de irrigação, telhados de edifícios públicos e estacionamentos do Parc Bit. Essa abordagem visa otimizar o uso do solo, evitando a ocupação de áreas rústicas. No entanto, ele reconheceu que as Baleares necessitam de mais de 4.000 MW para alcançar a soberania energética, embora possuam capacidade para instalar 1.600 MW.

Plano de Transição e Críticas da Oposição

Para atingir a meta de autonomia energética, o governo está atualizando o Plano Setorial Energético, com previsão de aprovação no primeiro trimestre de 2027. Este plano visa organizar as instalações de energia nas Baleares e garantir a estabilidade da rede com maior capacidade de geração e armazenamento. Além disso, estão previstas medidas para mitigar os efeitos das altas temperaturas, com investimentos do imposto sobre turismo sustentável para adaptar edifícios e espaços públicos.

Por outro lado, o deputado socialista Carles Bona questionou o aumento de 1% nas emissões de CO2 em 2023, que interrompeu uma tendência de queda. Ele também indagou sobre a posição do governo em relação ao Pacto Verde Europeu e os efeitos dos acordos entre o PP e o Vox no desenvolvimento das energias renováveis, citando alertas de profissionais do setor sobre uma "paralisação" nas instalações. Bona criticou a moratória em solo rústico e a demora na aprovação do plano de planejamento climático, enquanto o plano setorial avança.

Implicações e Desafios Futuros

A defesa do conselheiro Sáenz de San Pedro aponta para um esforço contínuo em direção às metas climáticas, enfatizando a desburocratização e a otimização de recursos. A ênfase em autoconsumo e a utilização de infraestruturas existentes demonstram uma estratégia pragmática para a transição energética. Contudo, as críticas da oposição levantam preocupações sobre a efetividade das políticas implementadas e o impacto de alianças políticas no ritmo de adoção de energias limpas.

A necessidade de mais de 4.000 MW para a soberania energética das Baleares, em contraste com a capacidade atual de instalação, evidencia o longo caminho a percorrer. A aprovação do novo Plano Setorial Energético em 2027 será crucial para definir o futuro da infraestrutura energética do arquipélago e sua contribuição para os objetivos climáticos regionais e europeus. A gestão do turismo e do crescimento populacional, com o consequente aumento da demanda energética, adiciona uma camada de complexidade à tarefa de descarbonização.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España