O Ministério dos Transportes apresentou uma agenda robusta de infraestrutura que se estenderá para a próxima gestão presidencial, detalhando uma carteira de 36 novos leilões de rodovias a serem realizados até 2030. A iniciativa, apresentada pelo Ministro George Santoro, propõe uma média de nove licitações por ano, um ritmo significativamente superior ao observado no ciclo atual. A ambição é clara: acelerar a concessão de ativos e atrair um volume substancial de capital privado para o setor.

O Plano Ambicioso e Seus Desafios

A meta de realizar 11 leilões já no primeiro ano da nova gestão é considerada extremamente ousada pela própria pasta. Santoro reconhece as limitações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em termos de pessoal e orçamento, indicando que a capacidade operacional da agência é de cerca de sete licitações anuais. A gestão trabalha com uma margem de manobra, prevendo a possibilidade de substituição de projetos que possam enfrentar atrasos ou travar em órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2023, por exemplo, o ministério projetou 32 leilões, mas concluiu o ano com 29.

Volume de Investimentos e Projetos Estratégicos

Nos 25 leilões de rodovias já realizados no atual ciclo de governo, os concessionários se comprometeram com desembolsos totais de R$ 282,6 bilhões, divididos entre R$ 169 bilhões em capex (investimentos) e R$ 113,6 bilhões em opex (despesas operacionais). Para 2027, a expectativa do ministério é licitar um capex de R$ 54,87 bilhões, com R$ 47,15 bilhões em novas concessões e dois leilões de otimizações contratuais. Entre os projetos destacados estão a Rota de Integração do Sul e a Rota Portuária do Sul no Rio Grande do Sul, a Rota Vale do Itajaí em Santa Catarina, e a Rota Vale do Café no Rio de Janeiro. Outros projetos importantes incluem a otimização da Transbrasiliana em São Paulo e a Rota Portuária Itaqui no Maranhão.

Ferrovias e a Busca por Novos Financiamentos

No setor ferroviário, o cronograma também foi ajustado. A expectativa de oito leilões em 2026 foi reduzida; agora, apenas o corredor Minas-Rio está previsto para dezembro, com os demais projetos adiados para 2027. Santoro atribui o atraso ao caráter inovador da modelagem e à necessidade de discussões mais aprofundadas com o TCU. Para o próximo ano, a meta é licitar quatro concessões ferroviárias e até nove chamamentos públicos. Apesar dos entraves, os investimentos privados em ferrovias têm crescido consistentemente, atingindo recordes. O volume expressivo de investimentos projetados levanta a preocupação sobre a necessidade de novos mecanismos de financiamento, possivelmente com a atração de capital estrangeiro mais barato, dada a curva de juros brasileira.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech