O candidato à Presidência pelo Partido Democrata, Wilson Grassi, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seu programa de governo, intitulado “Brasil em Primeiro Lugar”. O documento de 58 páginas, segundo reportagem do Money Times, detalha um conjunto de propostas que buscam romper com o status quo em duas frentes cruciais: a tributária e a de segurança pública.
A plataforma de Grassi parece construída sobre dois pilares de grande apelo popular, mas de naturezas distintas. De um lado, uma simplificação tributária radical que acena ao setor produtivo e ao contribuinte exausto da complexidade fiscal. Do outro, uma agenda de segurança linha-dura que evoca o controverso, mas popular, modelo implementado em El Salvador. A aposta é que a combinação possa forjar uma coalizão eleitoral ampla, mas o risco é que as propostas sejam vistas como um amálgama de ideias de difícil conciliação.
A aposta no imposto único
A principal âncora econômica do plano é a criação do Imposto Único Federal (IUF), que incidiria sobre movimentações bancárias para substituir nove tributos federais. A ideia, que remete a debates passados sobre uma nova CPMF, busca seduzir pela simplicidade. O plano também inclui a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos e o fim da contribuição patronal sobre a folha, uma demanda antiga do setor empresarial para baratear a contratação formal.
A leitura aqui é que Grassi tenta capturar o sentimento anti-impostos e a frustração com o desemprego. A proposta de um tributo único sobre transações, no entanto, carrega desafios notórios: a definição de uma alíquota que não sufoque a economia nem gere perda de arrecadação, além do risco de incentivar a informalidade para evitar o rastreamento bancário. É uma promessa de solução simples para um problema complexo, cuja execução seria o verdadeiro teste.
O fator El Salvador
No campo da segurança, a proposta mais contundente é a realização de um plebiscito sobre a adoção de um modelo de confinamento de segurança máxima em grande escala, nos moldes de El Salvador, para isolar lideranças de facções. A menção direta ao país centro-americano é um sinal claro ao eleitorado que prioriza o combate ao crime organizado, capitalizando a percepção de sucesso do presidente Nayib Bukele.
O movimento sugere uma disposição para endurecer a política penitenciária de forma drástica, com a expansão de presídios federais e bloqueio de comunicação. Embora o plano mencione a manutenção de garantias individuais, a simples evocação do modelo salvadorenho acende um alerta imediato em organizações de direitos humanos e no meio jurídico. A proposta coloca em rota de colisão duas demandas da sociedade: o anseio por ordem e o respeito aos fundamentos do Estado de Direito.
O programa de Wilson Grassi, portanto, se apresenta como um teste de limites. Ele mede o apetite do eleitorado por soluções radicais, tanto na economia quanto na segurança. A questão que paira sobre a candidatura é se essa plataforma de extremos consegue se sustentar como um projeto de governo coerente ou se revela apenas uma coleção de pautas de impacto calculadas para o momento eleitoral.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





