A guerra comercial entre Estados Unidos e China, que parecia ter entrado em uma fase de trégua administrada, ganhou um novo ponto de atrito. O Ministério do Comércio chinês protestou formalmente contra a decisão de Washington de impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos do país, uma medida justificada pela Casa Branca no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado, sob a chamada Seção 301.

Em comunicado, Pequim classificou a medida como um ato de “unilateralismo e protecionismo”, acusando os EUA de utilizarem a questão humanitária como pretexto para novas barreiras comerciais. A leitura é que, embora a alíquota esteja dentro de um limite de 20% que teria sido discutido em negociações anteriores, a justificativa representa uma escalada retórica, movendo o campo de batalha do puramente econômico para o terreno dos valores — um território onde concessões são politicamente mais complexas.

Entre a retórica e a negociação

A reação da China segue um roteiro conhecido, mas com nuances importantes. Ao mesmo tempo em que se opõe “firmemente” à decisão, o governo chinês aponta o que considera uma hipocrisia americana: o fato de os EUA não terem ratificado a Convenção sobre o Trabalho Forçado de 1930. Pequim também sinaliza que suas medidas de retaliação, adotadas em rodadas anteriores do conflito, permanecem em vigor e que se reserva o direito de tomar “todas as medidas necessárias”.

Apesar da linguagem dura, a porta para o diálogo não foi fechada. A China reiterou a disposição de conversar com base em “respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco”. A dinâmica sugere um equilíbrio delicado. Washington testa os limites da pressão, aplicando tarifas cirúrgicas com justificativas politicamente sensíveis, enquanto Pequim responde com protestos firmes, mas mantendo um canal de negociação aberto.

Para empresas e para a economia global, o episódio é um lembrete de que a rivalidade estrutural entre as duas potências continua a ditar as regras do comércio internacional. A era das tarifas generalizadas da administração Trump pode ter dado lugar a uma fase de conflito mais focado e técnico, mas a instabilidade e o risco geopolítico permanecem como uma constante no cenário.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times