A gestora GVC Gaesco definiu sua estratégia de investimento para o final de 2026, com um foco claro em pequenas e médias empresas (PMEs) europeias, em detrimento de grandes corporações. Em um cenário global marcado pelo aumento das taxas de juros e pela persistência da inflação, a entidade prioriza a dívida soberana em relação à dívida corporativa, buscando mitigar riscos em um ambiente de volatilidade. A análise da gestora, divulgada em sua estratégia trimestral, aponta que as PMEs europeias continuam a apresentar um potencial de valorização superior, especialmente em um contexto de normalização econômica e financeira.

O Foco em Pequenas Empresas Europeias

A decisão de favorecer PMEs na Europa é fundamentada na percepção de que estas companhias oferecem um potencial de revalorização mais expressivo em diversos segmentos de mercado. A GVC Gaesco argumenta que, em um ambiente de normalização econômica e financeira, as empresas de menor porte tendem a ser mais ágeis e a apresentar maior capacidade de adaptação, o que se traduz em oportunidades de crescimento. A gestora mantém suas 36 teses de investimento inalteradas para o período, refletindo uma postura de cautela diante da inflação persistente, do encarecimento do petróleo e das tensões nos mercados de dívida globais.

Prudência em Renda Fixa e Câmbio

No que tange à renda fixa, a GVC Gaesco recomenda uma abordagem prudente em relação à duração dos ativos. A preferência recai sobre a dívida soberana, vista como mais segura em comparação com o crédito corporativo, e dentro deste universo, a gestora favorece emissões com grau de investimento (investment grade) em detrimento de títulos de alto rendimento (high yield). Além disso, a entidade sugere a redução da exposição ao dólar americano frente ao euro e a manutenção de uma posição comprada em ienes japoneses em relação à moeda europeia. O objetivo é aumentar a diversificação e proteger o portfólio contra flutuações cambiais e a volatilidade dos mercados globais.

Cautela com Grandes Investimentos e Títulos Tecnológicos

A gestora também expressa cautela em relação a investimentos em setores que demandam desembolsos "extraordinariamente elevados", como é o caso dos centros de dados. A incerteza sobre a rentabilidade futura desses investimentos, o longo horizonte temporal para sua monetização e o risco de expectativas excessivamente otimistas incorporadas nas cotações atuais levam a GVC Gaesco a recomendar cautela. Por outro lado, a firma mantém uma sobreponderação em setores como turismo, devido à demanda global por viagens, e no setor bancário e de seguros, beneficiados por níveis de rentabilidade mais elevados. O consumo, as renováveis, as utilities, a construção, a saúde e as infraestruturas concessionais também figuram como áreas de interesse.

Estratégias de Retorno Absoluto

No âmbito dos ativos alternativos, a GVC Gaesco sobrepondera estratégias de retorno absoluto quantitativo. Estas estratégias são vistas como uma fonte complementar de rentabilidade e diversificação, capazes de gerar retornos consistentes independentemente do desempenho geral do mercado. A combinação dessas estratégias com a aposta em PMEs europeias e a priorização de dívida soberana compõe um portfólio diversificado e resiliente, desenhado para navegar em um cenário econômico global complexo e incerto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España