A gigante sueca H&M está pronta para o seu segundo ato no Brasil. Um ano após sua estreia, a companhia anunciou a abertura de quatro novas lojas no segundo semestre, sendo duas no Rio de Janeiro e, mais significativamente, duas no Nordeste, em shoppings de Recife e Fortaleza. A movimentação eleva para 13 o número total de pontos de venda no país.

O passo em direção ao Nordeste não é um tiro no escuro, mas uma decisão calculada. Segundo reportagem do Money Times, que entrevistou o presidente da H&M Brasil, Joaquim Pereira, a escolha se baseia em dois pilares: a produtividade dos shoppings da região, que ele classifica como acima da média nacional, e os dados do próprio e-commerce da marca, que já indicavam uma forte base de consumidores locais. É a confirmação de uma estratégia que primeiro ouve o cliente digital para depois investir no tijolo e cimento.

O ritmo da gigante

O primeiro ano da H&M no Brasil foi, nas palavras de seu executivo, um período de “aprendizagem a nível comercial e de calendário”. A empresa focou em entender o comportamento do consumidor brasileiro — o que, quando e por que compra. Questões como a dinâmica do Carnaval, que se mostrou uma oportunidade para uma cápsula de produtos mais exclusiva, e o potencial subestimado do Dia dos Pais, foram lições valiosas. Essa fase de estudo intensivo agora pavimenta uma expansão mais assertiva.

A chegada ao Nordeste é o primeiro grande teste dessa tese. Ao contrário de uma expansão agressiva, o ritmo da H&M parece metódico. A empresa está construindo sua operação de forma gradual, consolidando praças e aprendendo com as particularidades regionais antes de acelerar. A implementação de uma jornada de trabalho de cinco dias para os colaboradores, um diferencial no setor, reforça a visão de uma operação construída para o longo prazo, não para o ganho rápido de market share.

O avanço para uma das regiões mais competitivas do varejo de moda brasileiro colocará à prova o modelo sueco. A capacidade de adaptar seu sortimento e sua comunicação às nuances locais, agora fora do eixo Sul-Sudeste, será crucial para determinar se a H&M pode se tornar uma força verdadeiramente nacional, competindo em pé de igualdade com as potências locais já estabelecidas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times