Luciano Hang, o midiático fundador da Havan, está novamente na mira do Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão abriu uma investigação para apurar um discurso do empresário a funcionários em Caldas Novas, Goiás, onde ele criticou duramente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

A fala, na qual Hang sugere que a mudança levaria os colaboradores a "ter que arranjar outro emprego", é investigada como um possível caso de assédio eleitoral. O episódio não é um fato isolado, mas a reedição de uma estratégia que já rendeu a Hang uma condenação milionária e coloca em xeque os limites entre a liberdade de expressão de um empresário e a coação de seus funcionários.

Um roteiro conhecido

O argumento de Hang, transmitido em vídeo que circulou nas redes sociais, segue uma cartilha de alarmismo econômico. Segundo ele, a adoção da escala 5x2 elevaria os custos da Havan em 15%, impacto que seria repassado aos preços e diminuiria o poder de compra dos próprios trabalhadores. A consequência, em seu raciocínio, seria a necessidade de um segundo emprego, informal e sem direitos. A PEC é classificada por ele como um "estelionato eleitoral" para enganar o trabalhador.

Para o MPT, acionado pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP), a narrativa pode configurar assédio. A investigação, ainda em fase inicial, apura se Hang se valeu da sua posição hierárquica para induzir ou constranger os subordinados. O caso é particularmente sensível porque a Havan e seu fundador já foram condenados em 2024 a pagar R$ 85 milhões por assédio eleitoral nas eleições de 2018, firmando um acordo para não reincidir na prática.

O novo inquérito testa não apenas a validade desse acordo, mas a fronteira entre o discurso político e a pressão indevida no ambiente de trabalho. A questão central é se um empresário pode usar sua plataforma corporativa para veicular uma mensagem que, na prática, atrela a manutenção do emprego a um determinado resultado político ou legislativo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times