O estúdio de arquitetura Hello Wood finalizou a construção do Remise Rosa, um complexo cultural e gastronômico de 2.500 metros quadrados localizado em um antigo pátio de carga ferroviária em Zurique, na Suíça. O projeto, concebido como um hub de uso misto, integra áreas de alimentação, bares e espaços para eventos, conectados por uma rede de passarelas, pontes e escadarias coloridas que visam dinamizar a paisagem urbana local.

Segundo o arquiteto-chefe Balázs Szelecsényi, a intenção foi criar uma estrutura que se destacasse do entorno industrial e sóbrio da região de Zurique Oeste. O desenvolvimento foi viabilizado por meio de técnicas de pré-fabricação, permitindo que a montagem ocorresse em apenas cinco meses, com foco em precisão e redução de resíduos no canteiro de obras.

Inovação estrutural e sustentabilidade

O coração do Remise Rosa é composto por uma estrutura de madeira laminada cruzada (CLT), material que tem ganhado destaque em projetos urbanos contemporâneos pela sua eficiência térmica e menor pegada de carbono em comparação ao concreto. A escolha do CLT não foi apenas estética, mas um requisito técnico para garantir a rapidez da montagem, utilizando processos de fabricação controlados por CNC fora do local de instalação.

A arquitetura do projeto explora a verticalidade através de terraços em diferentes níveis e estruturas que remetem a cabines de casas na árvore, elevando-se acima do solo. Este arranjo, combinado com elementos como pontes de cabos e bancos esculpidos, cria um ambiente denso e lúdico, que busca incentivar a circulação de pedestres em um local anteriormente negligenciado pelo planejamento urbano tradicional.

Design e identidade visual

O uso de cores vibrantes, como o azul cobalto e o rosa pastel, define a identidade visual do complexo, criando um contraste proposital com os tons naturais da madeira e a vegetação incorporada ao projeto. Essa paleta cromática reforça o caráter público e alegre do hub cultural, que serve tanto como ponto de encontro comunitário quanto como serviço de alimentação diário para instituições próximas.

Internamente, o design combina a estrutura de madeira exposta com elementos industriais, como tubulações aparentes e aço galvanizado, mantendo a conexão com o passado ferroviário do terreno. Portas de vidro do chão ao teto e grandes janelas garantem a permeabilidade visual entre os espaços internos e as áreas de terraço, reforçando o conceito de integração indoor-outdoor que caracteriza o Remise Rosa.

Impacto no ecossistema urbano

A transformação de áreas ferroviárias desativadas em hubs culturais é uma tendência crescente em metrópoles globais, servindo como um catalisador para a regeneração de bairros industriais. No caso de Zurique, o projeto do Hello Wood demonstra como a arquitetura modular pode oferecer soluções rápidas para a ocupação de espaços subutilizados, alinhando necessidades comerciais com demandas por áreas de convivência pública.

Para reguladores e urbanistas, o modelo de ocupação temporária ou permanente de terrenos ferroviários levanta questões sobre a flexibilidade do uso do solo e a capacidade de intervenções privadas em gerarem valor social. A experiência do estúdio com arquitetura experimental e festivais temporários permitiu que o Remise Rosa funcionasse como uma extensão dessa expertise para o desenvolvimento urbano permanente.

Perspectivas de ocupação

O sucesso da operação a longo prazo dependerá da capacidade do espaço em manter sua relevância como destino cultural, superando o apelo inicial de sua arquitetura peculiar. A flexibilidade dos espaços, desenhados para acomodar desde eventos públicos até serviços de refeições, será testada à medida que a comunidade local absorver a estrutura no seu cotidiano.

Acompanhar a durabilidade dos materiais e a manutenção das áreas verdes será o próximo passo para avaliar a eficácia do uso de madeira laminada em projetos de alta rotatividade. O Remise Rosa permanece como um estudo de caso sobre como a densidade urbana pode ser trabalhada de forma criativa sem sacrificar a estética ou a função pública.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen Architecture