Paris, com seu ritmo frenético e ruas que convidam à descoberta, serve de palco para a mais recente incursão da HUGO. A campanha 'Red Means GO', que em sua segunda temporada continua a pulsar com a energia de um elenco plural de criativos, não é apenas sobre vestuário, mas sobre a própria essência de seguir um caminho singular. Em um mundo que muitas vezes exige certezas absolutas, a HUGO propõe uma reflexão sobre o valor da incerteza e da confiança para seguir em frente, mesmo quando o futuro é nebuloso e as expectativas alheias pesam.
A Arte de Navegar a Incerteza
Filmada em cenários parisienses que parecem extensões da vida de seus protagonistas, a campanha explora as trajetórias de fotógrafos, artistas, curadores e músicos. Tereza Mundilová, fotógrafa e diretora que transita entre Berlim, Paris e Nova York, enxerga a imagem antes mesmo de o clique acontecer. Para ela, a fotografia é a materialização de visões, sejam elas reais ou oníricas. Essa abordagem experimental, que foge de destinos fixos, é um fio condutor. Cato, artista e músico baseado em Londres, exemplifica essa liberdade ao transitar entre pintura, animação e música. Suas ideias, muitas vezes visuais, ganham forma em diferentes mídias, mas ele se descreve como um "voyeur", um observador à distância de seus próprios trabalhos, buscando a essência por trás de cada criação.
Liberdade de Expressão e Identidade
A moda da HUGO para o Outono/Inverno 2026 dialoga diretamente com essa fluidez. Peças de alfaiataria rigorosa se mesclam a elementos mais relaxados e expressivos, refletindo a capacidade de transitar entre diferentes universos sem se prender a um único rótulo. Temitayo Famakinwa, que atua em curadoria de arte, mídia e cultura digital, exemplifica a coragem de romper com um passado promissor — ele deixou a neurociência para seguir carreira nas artes. Essa escolha, embora incerta e questionada por muitos, foi um ato de fidelidade a si mesmo. "Ficar fiel a mim mesmo significou dar o salto, mesmo que as pessoas ao seu redor demorem um pouco para acompanhar", relata. O DJ e criativo Nick Cheo, por sua vez, constrói sua audiência com mixes que unem humor e um vocabulário musical amplo, atraindo nomes como Tinashe e PinkPantheress. Sua filosofia para manter o ímpeto é clara: confiar na experiência acumulada. "Tudo o que você fez no passado é prova de que você já fez uma vez, então pode fazer de novo. E isso se aplica a tudo."
A Coleção como Ferramenta de Expressão
As histórias desse elenco dão vida ao conceito 'Red Means GO', mostrando que a evolução, a travessia entre disciplinas e a criação de oportunidades em seus próprios termos são o motor. As roupas se tornam extensões dessa expressão individual. Jeans e couro trazem um toque instintivo, enquanto a alfaiataria estruturada oferece solidez sem impor uniformidade. Seja seguindo um instinto visual, abandonando uma carreira familiar ou confiando nas lições do passado, a mensagem é clara: encontrar a própria direção é menos sobre ter tudo planejado e mais sobre ter a confiança para dar o próximo passo. A HUGO, em 2026, busca ressignificar fórmulas conhecidas, tornando-as pessoais novamente.
O Futuro é um Roteiro em Construção
A coleção Outono/Inverno 2026 da HUGO, disponível globalmente, inspira-se na ideia de que cada caminho em Paris leva a algum lugar diferente. A alfaiataria dos anos 90, detalhes utilitários e texturas robustas formam a base, mas são as combinações inesperadas e o styling individual que conferem a perspectiva contemporânea. A tensão entre estrutura e liberdade permeia tanto o masculino quanto o feminino, com silhuetas afiadas dos anos 90 e toques de vestuário alpino dos anos 60. Cores como marrom, preto e branco são pontuadas pelo vermelho vibrante, um convite para que cada um escreva sua própria narrativa. O que resta é a pergunta: como a moda continuará a ser um espelho das complexidades e aspirações de uma geração que se recusa a seguir um único roteiro?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Highsnobiety





