Um em cada cinco incidentes de cibersegurança na Espanha em 2025 teve origem em falhas de terceiros ou fornecedores. Este dado, divulgado pela Prosegur Cybersecurity, revela um cenário de crescente vulnerabilidade nas cadeias de suprimentos digitais, onde a interdependência entre empresas e seus parceiros tecnológicos se tornou um campo fértil para ataques.
A inteligência artificial (IA) emerge como um fator crítico nesse panorama, não apenas por reduzir o tempo e o custo para identificar fraquezas em sistemas, mas também por amplificar o alcance e a sofisticação dos ataques que se propagam por meio de fornecedores. A digitalização acelerada em setores estratégicos amplia a exposição a essas ameaças, impactando diretamente a operação e a eficiência dos negócios.
A Ameaça Crescente da Cadeia de Suprimentos
A Prosegur Cybersecurity destaca que os ataques à cadeia de suprimentos ganharam proeminência em 2025, com crescimento expressivo em relação ao ano anterior. Essa modalidade de ataque se consolidou como uma das principais portas de entrada para cibercriminosos, explorando a confiança e os acessos concedidos a parceiros.
O Instituto Nacional de Ciberseguridad (Incibe) da Espanha gerenciou 122.223 incidentes em 2025, um aumento de 26% em relação ao ano anterior, identificando 237.028 sistemas vulneráveis. Uma estatística alarmante: 85% dos sistemas infectados por meio de redes de dispositivos comprometidos estavam relacionados a equipamentos inteligentes e conectados, evidenciando a fragilidade do ecossistema de IoT.
IA: Um Catalisador de Riscos e Vulnerabilidades
A inteligência artificial está redefinindo a economia do ataque cibernético. Ferramentas baseadas em IA permitem automatizar o reconhecimento de fornecedores e suas dependências, além de localizar e explorar vulnerabilidades com velocidade sem precedentes. A IA também aprimora a elaboração de mensagens de engenharia social, tornando-as mais críveis e direcionadas a funcionários de empresas de serviços — que frequentemente possuem credenciais de acesso a sistemas de seus clientes.
Dados da Forescout Research apontam crescimento acelerado nas vulnerabilidades publicadas nos primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, ritmo que a empresa atribui à descoberta de falhas assistida por IA. Ataques notáveis à cadeia de suprimentos também registraram aumento significativo no período, com crescimento expressivo na atividade contra infraestruturas de IA, muitas vezes retroalimentando campanhas maliciosas.
Amplificando o Alcance e a Complexidade dos Ataques
Segundo a Phoenix Security, o volume de pacotes maliciosos detectados no início de 2026 já supera com folga os registros de períodos equivalentes em 2025, demonstrando a crescente sofisticação e o volume de ameaças que as organizações enfrentam. A interconexão cada vez maior entre fornecedores, plataformas tecnológicas e sistemas industriais cria um efeito cascata, onde uma única brecha pode comprometer múltiplos elos da cadeia de valor.
Recomendações para Mitigar os Riscos
Diante desse cenário, a Prosegur Cybersecurity enfatiza a necessidade de aumentar a visibilidade sobre fornecedores, ativos críticos e dependências tecnológicas. Reforçar a gestão de acessos de terceiros, monitorar integrações críticas e manter vigilância contínua sobre sistemas conectados são passos fundamentais.
A adoção de modelos de segurança Zero Trust, a aceleração na aplicação de patches e o fortalecimento da formação de funcionários e fornecedores contra técnicas de engenharia social impulsionadas por IA são recomendações cruciais. A questão que se coloca para organizações brasileiras — igualmente dependentes de cadeias de fornecedores digitais — é: quão preparadas estão para mitigar esses riscos em um ambiente cada vez mais interconectado?
A crescente conectividade entre fornecedores e sistemas exige ampliação da visibilidade sobre dependências críticas e fortalecimento das capacidades de detecção e resposta. A antecipação de possíveis compromissos na cadeia de suprimentos é um desafio contínuo que demanda atenção e investimento constantes em cibersegurança. A inteligência artificial, embora uma ferramenta poderosa para a defesa, também representa um vetor de amplificação para as ameaças.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





