A inteligência artificial (IA) avança a passos largos, prometendo otimizar processos e aliviar a carga de trabalho em diversas áreas. No entanto, uma pesquisa recente da Netskope, intitulada "2026 State of AI Agents in Security and Network Operations", revela uma barreira significativa: a relutância dos próprios profissionais em ceder o controle total a esses agentes. Segundo o levantamento, 68% dos especialistas em segurança, redes e TI não dariam autonomia para que agentes de IA alterassem sistemas sem a devida aprovação humana. Este dado é particularmente relevante em um cenário onde a demanda operacional cresce exponencialmente.

O relatório aponta que 81% das equipes registraram um aumento na carga de trabalho nos últimos 12 meses, mas apenas 11% conseguem acompanhar essa demanda de forma consistente. Essa sobrecarga se traduz em falhas concretas: 42% dos entrevistados relatam alertas, casos ou chamados que ficaram sem investigação, e 24% viram dados sensíveis, sistemas ou usuários expostos por tempo excessivo. Diante desse quadro, a expectativa é que 47% das equipes planejem usar agentes de IA para automatizar fluxos de trabalho manuais, buscando mitigar essas lacunas.

A dualidade da confiança: autonomia versus segurança

Apesar do interesse em delegar tarefas para aumentar a capacidade operacional, o desejo por autonomia total dos agentes de IA encontra fortes restrições. Os 68% que preferem manter a supervisão humana se dividem entre aqueles que não aceitariam alterações operacionais executadas por agentes (38%) e os que exigiriam aprovação humana antes de qualquer execução (30%). Essa cautela não é infundada. Entre os principais receios citados pelos profissionais, 48% temem ações inseguras ou não intencionais por parte da IA, enquanto 40% se preocupam com acessos e permissões excessivos e 35% com a possibilidade de ações baseadas em informações incorretas ou manipuladas. Essa desconfiança se reflete na confiança geral: apenas 9% se dizem muito confiantes na capacidade de suas empresas de controlar a atuação dos agentes, contra 45% que expressam pouca ou nenhuma confiança.

Triagem de alertas: um ponto de partida para a IA

O relatório sugere que a triagem e a priorização de alertas podem ser um ponto de partida promissor para a integração de agentes de IA. Quase metade dos participantes (46%) se sente confortável em delegar essas tarefas específicas à tecnologia, com 48% esperando um valor significativo dessa aplicação. A ideia é que os agentes organizem e priorizem os casos para análise humana, sem, contudo, realizar alterações diretas nos sistemas. Essa abordagem permite que as equipes de segurança e redes se concentrem em investigações mais complexas, enquanto a IA lida com o volume inicial de dados e alertas, otimizando o tempo e os recursos disponíveis.

Fragmentação de dados e o gargalo da colaboração

A dispersão de informações entre diferentes ferramentas é outro obstáculo significativo para a eficiência operacional. Para 51% dos entrevistados, sinais e informações de contexto fragmentados dificultam a resolução rápida de problemas. Além disso, 46% dos profissionais dedicam mais de um quarto do seu tempo de trabalho à transferência manual de informações entre diversas plataformas, painéis de controle, sistemas de chamados e relatórios. Essa

Source · TIInside