A inteligência artificial (IA) está se consolidando como uma ferramenta cada vez mais presente na vida dos viajantes espanhóis. Um estudo recente da ObservaTUR aponta que 62% dos entrevistados acreditam que, em um horizonte de cinco a dez anos, a maior parte dos deslocamentos turísticos será organizada com o suporte de ferramentas de IA. Este percentual representa um avanço em relação a 2025, quando essa percepção era de 56%.
O relatório, divulgado em alusão ao Dia Mundial do Turismo, destaca que a tecnologia já interfere no planejamento de férias para uma parcela significativa de viajantes. Um em cada três espanhóis já utilizou aplicativos de IA para organizar suas viagens, com destaque para a comparação de preços e a busca por alternativas. Além disso, seis de cada dez usuários recorrem a essas ferramentas para a criação de roteiros, organização de atividades e estruturação do descanso. A busca e seleção de destinos também são influenciadas pela IA, com 46% dos viajantes utilizando-a para essa finalidade. Isso indica que a IA não se limita mais a otimizar escolhas pré-determinadas, mas começa a moldar a decisão sobre para onde viajar.
Brecha geracional e uso da IA
O estudo revela uma notável disparidade geracional no que tange à adoção e percepção da IA no turismo. Viajantes entre 18 e 34 anos demonstram maior entusiasmo e convicção no protagonismo da IA, com 72,9% considerando que ela organizará a maioria das viagens no futuro. Em contrapartida, o índice entre pessoas de 65 a 74 anos cai para 51,3%, uma diferença de mais de 21 pontos percentuais. As diferenças por gênero são mínimas, com 62% dos homens e 63% das mulheres compartilhando a mesma previsão.
Confiança e o papel humano no turismo
Apesar do avanço tecnológico, as recomendações pessoais e as opiniões de outros viajantes continuam a exercer forte influência. Familiares e amigos são a principal fonte de inspiração para 58% dos viajantes, seguidos por avaliações online (33%), conteúdos em redes sociais (27%) e indicações de agências de viagens e turoperadores (19%). Esse cenário sugere que a integração de novas ferramentas digitais coexiste com a busca por validação social, experiências compartilhadas e aconselhamento especializado.
Agências de viagens e o futuro do setor
Neste contexto, cerca de 40% dos viajantes acreditam que as agências de viagens manterão sua relevância na próxima década, especialmente em viagens mais complexas, personalizadas ou de longa distância. Marcos Franco, porta-voz da ObservaTUR, enfatiza que, embora a IA esteja se tornando central no planejamento de viagens, a confiança humana permanecerá um pilar essencial. O cenário futuro ideal, segundo ele, reside na combinação sinérgica entre as capacidades tecnológicas da IA e o toque humano.
Desafios e oportunidades futuras
Essa evolução do turismo, impulsionada pela IA, alinha-se com as discussões globais sobre a digitalização do setor. A ONU Turismo reconhece o potencial da agenda digital e da inteligência artificial para redesenhar o turismo, ressaltando a importância contínua da tecnologia, da experiência e da confiança. O desafio reside em equilibrar a eficiência e a personalização oferecidas pela IA com a necessidade de segurança, autenticidade e o valor insubstituível da interação humana.
A consolidação da IA no setor de viagens levanta questões sobre a adaptação dos profissionais e empresas, a garantia da privacidade dos dados e a democratização do acesso a essas tecnologias. A jornada rumo a um turismo totalmente mediado pela inteligência artificial promete ser gradual, marcada pela coexistência e pela busca por um modelo que combine o melhor do mundo digital e humano.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





