O grupo IAG, controlador de companhias como Iberia, Vueling e Level, anunciou nesta terça-feira um investimento estratégico na startup de robótica Verve Motion. A empresa, fundada em 2020 e derivada de pesquisas da Universidade de Harvard, desenvolve exotrajes industriais projetados para auxiliar trabalhadores em tarefas repetitivas de elevação de carga, um dos gargalos operacionais mais críticos do setor aéreo.

O aporte, realizado por meio da divisão IAGi Ventures, integra uma rodada de financiamento que permitiu à Verve Motion acumular mais de 55 milhões de dólares para escalar sua tecnologia. Segundo comunicado oficial, a parceria visa o desenvolvimento de um exotraje customizado para as necessidades específicas da aviação, com foco inicial no suporte aos ombros dos manipuladores de bagagens em operações de solo.

A tecnologia por trás da carga

Os exotrajes desenvolvidos pela Verve Motion funcionam como uma extensão biomecânica do corpo humano, reduzindo a carga física sobre músculos e articulações durante o levantamento de pesos. Em ambientes logísticos e industriais, onde a repetição é constante, a adoção desses dispositivos tem se mostrado uma alternativa viável para diminuir o absenteísmo causado por lesões ocupacionais, um problema crônico que afeta a eficiência operacional das companhias aéreas.

A startup, sob a liderança do empresário Ignacio Galiana, já aplica suas soluções em diversos setores industriais. A transição para o ambiente aeroportuário representa um desafio técnico distinto, dada a necessidade de mobilidade e a natureza variável dos volumes manuseados nas pistas. O projeto piloto com a IAG servirá como laboratório para ajustar a ergonomia e a durabilidade do equipamento em um cenário de alta pressão operacional.

Dinâmicas de inovação no setor aéreo

A estratégia da IAGi Ventures reflete uma mudança na forma como grandes grupos de aviação enxergam a inovação tecnológica. Em vez de focar apenas em software de gestão ou eficiência de combustível, o holding busca soluções de hardware que impactem diretamente o custo humano e a segurança do trabalho. A colaboração permite que a Verve Motion refine seu produto com dados reais de uma das operações mais complexas do mundo.

Para a Verve Motion, o acesso ao know-how da IAG é um diferencial competitivo, permitindo que a startup valide sua tecnologia em um campo de testes global. A participação de outros investidores, como a HexArmor, reforça a confiança do mercado na capacidade da empresa de transformar a segurança do trabalho em um ativo de eficiência operacional, integrando robótica leve em fluxos de trabalho tradicionais.

Implicações para o ecossistema

A adoção de exotrajes em aeroportos levanta questões sobre o futuro da automação assistida. Diferente da automação total, que substituiria o operador humano, esta tecnologia busca prolongar a vida útil do trabalhador no posto de serviço, mitigando o desgaste físico severo. Reguladores e sindicatos do setor aéreo observarão de perto como a implementação desses dispositivos altera as métricas de produtividade e saúde ocupacional.

Para o mercado brasileiro, que lida com desafios logísticos similares em seus maiores aeroportos, o modelo da IAG serve como uma referência de como o capital de risco corporativo pode ser direcionado para resolver dores operacionais concretas. A integração entre a expertise de Harvard e a necessidade de eficiência das companhias aéreas sugere que a robótica vestível pode se tornar um padrão de conformidade e segurança na próxima década.

O que observar a seguir

O sucesso do projeto piloto será medido pela redução efetiva de lesões e pelo feedback dos operadores em campo. A capacidade de escalar essa tecnologia sem comprometer a agilidade do manuseio de bagagens definirá se o exotraje será adotado em larga escala por outros grandes grupos de aviação ao redor do mundo.

Além disso, a evolução da Verve Motion poderá abrir portas para outras aplicações de robótica vestível dentro das operações aeroportuárias, como na manutenção de aeronaves ou na limpeza de cabines. A questão central permanece sobre a viabilidade econômica de longo prazo para uma implementação global e os custos de manutenção desses sistemas em ambientes complexos.

O investimento da IAG sublinha que, mesmo em uma era dominada por algoritmos e inteligência artificial, a infraestrutura física da aviação ainda depende da força humana, que agora começa a ser amplificada pela engenharia robótica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España