A Iberia oficializou uma mudança estratégica em seu modelo de distribuição para o segmento corporativo, estendendo para uma semana o período de reserva em rotas Business de longa distância processadas via NDC (New Distribution Capability). A iniciativa, segundo comunicado da própria companhia, permite que empresas garantam tarifas e assentos por um tempo maior, eliminando a pressão imediata de fechamento da logística de viagens internacionais.

A medida reflete uma tentativa direta da Iberia em consolidar o padrão NDC como a espinha dorsal de sua estratégia comercial. Ao oferecer maior margem de manobra para a gestão de reservas, a aérea busca não apenas atrair o viajante corporativo, mas também incentivar agências de viagens e parceiros comerciais a migrarem integralmente para este canal digital, que permite maior personalização de serviços e eficiência operacional.

A lógica por trás da transição para o NDC

O New Distribution Capability, ou NDC, representa uma mudança estrutural na forma como as companhias aéreas comercializam seus inventários. Diferente dos GDS (Global Distribution Systems) tradicionais, que muitas vezes limitam a visibilidade de produtos auxiliares e ofertas dinâmicas, o NDC permite que a Iberia apresente uma gama mais ampla de opções e tarifas personalizadas diretamente ao cliente corporativo.

Para a companhia, o benefício é duplo: além de otimizar a experiência de compra, a empresa reduz a dependência de intermediários legados e aumenta a competitividade no mercado de viagens de negócios. A flexibilidade de uma semana para a reserva atua como um incentivo concreto para que gestores de viagens optem pelo canal direto da aérea, garantindo melhores condições em um setor onde a volatilidade de preços é um desafio constante.

O impacto nas relações com o mercado

A estratégia de expansão do NDC não ocorre no vácuo, sendo acompanhada por ações de reconhecimento aos parceiros que mais utilizam o sistema. A Iberia realizou recentemente a premiação de seu primeiro 'Mundial NDC', um evento que contou com a participação de 660 agências em 37 mercados e 68 empresas, destacando nomes como Telefônica e Global Business Travel entre os líderes na adoção dessa tecnologia.

Esse movimento de fidelização de parceiros sugere que a Iberia está focada em construir um ecossistema onde a tecnologia e a eficiência operacional andam juntas. Para as agências de viagens, o desafio é adaptar seus fluxos de trabalho a essa nova realidade tecnológica, enquanto para as empresas, o ganho reside na capacidade de gerir deslocamentos internacionais com maior previsibilidade e menor risco de perda de disponibilidade em voos de longa duração.

Perspectivas para o setor corporativo

O sucesso dessa iniciativa dependerá da capacidade da Iberia em manter a estabilidade do sistema NDC frente a uma demanda crescente. A personalização do serviço, citada pelo diretor de Vendas para Espanha, Portugal e Norte da África, Antonio Linares, é apresentada como o diferencial competitivo que deve sustentar a estratégia da aérea nos próximos anos.

O mercado de viagens corporativas observa atentamente se outras companhias aéreas seguirão o modelo de flexibilidade da Iberia. A questão que permanece é se o padrão NDC conseguirá, de fato, substituir os sistemas legados como a norma global, ou se coexistirá como uma alternativa premium para empresas que exigem maior agilidade na gestão de seus deslocamentos internacionais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España