A Iberia confirmou a abertura de um novo prazo para adesão ao seu Expediente de Regulação de Empleo (ERE) voluntário, após ter alcançado a marca de 844 solicitações de desligamento durante o mês de maio. O número representa 85% do total de 996 saídas previstas no acordo firmado com os sindicatos da companhia aérea espanhola, segundo informações da empresa enviadas à Europa Press.

O processo, que transcorreu entre 8 e 31 de maio, consolidou 807 pedidos de aposentadoria antecipada e 37 baixas incentivadas. A movimentação reflete uma estratégia estruturada de redução de pessoal que se estenderá pelos próximos anos, com um cronograma de saídas escalonado que visa equilibrar a operação da aérea com as novas demandas do setor de aviação europeu.

Ajuste operacional e digitalização

A necessidade de um ERE voluntário, conforme detalhado pela companhia, está diretamente ligada à adaptação de perfis profissionais, à digitalização de processos internos e ao aumento da eficiência na área de manutenção. A Iberia busca, através desta reestruturação, simplificar sua frota e otimizar custos operacionais em um mercado cada vez mais competitivo e tecnologicamente exigente.

O plano de desligamento foi desenhado para ser executado de forma gradual. Das saídas já aceitas, 530 funcionários deixarão a companhia ainda em 2026, sendo 513 por pré-aposentadoria e 17 por baixa definitiva. O restante do contingente será desligado em ondas sucessivas, com 263 saídas programadas para 2027 e outras 51 previstas para 2028, garantindo uma transição que busca minimizar impactos na operação diária.

Impacto setorial e distribuição da força de trabalho

O impacto desta reestruturação é distribuído entre as diferentes categorias profissionais que compõem o quadro da Iberia. O acordo sindical estabelece um teto de 996 supressões de contratos, abrangendo 106 pilotos, 137 tripulantes de cabine de passageiros (TCP) e 753 colaboradores das equipes de terra. Esta distribuição evidencia que o foco principal da redução está no pessoal de solo, onde a automação e a digitalização de processos de manutenção e logística possuem maior potencial de ganho de eficiência.

Para o mercado de trabalho espanhol, a utilização de mecanismos voluntários de saída é frequentemente vista como uma alternativa menos traumática do que demissões compulsórias. A adesão de 85% do contingente previsto em uma única janela de tempo sugere que as condições oferecidas pela companhia foram atrativas o suficiente para que o quadro de funcionários optasse pela saída, facilitando o cumprimento dos objetivos estratégicos da empresa sem a necessidade de medidas mais drásticas.

Perspectivas para a gestão de capital humano

O sucesso na busca pelos 15% restantes das vagas de desligamento dependerá da continuidade do interesse dos colaboradores pelas condições oferecidas. A Iberia precisará manter a transparência nas negociações sindicais para assegurar que a meta de 996 saídas seja atingida sem gerar tensões laborais que possam comprometer a produtividade da companhia durante o processo de transição tecnológica.

O setor observa com atenção como a empresa gerenciará a substituição de competências. A simplificação da frota e a digitalização exigem que os talentos remanescentes possuam habilidades distintas daquelas que estão sendo desligadas, tornando a gestão de talentos internos um ponto crítico para a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

A reabertura do prazo de adesão coloca em evidência a estratégia da Iberia de não apenas reduzir custos, mas de redesenhar sua própria estrutura operacional. Resta saber se a meta final será atingida com a mesma celeridade vista em maio ou se a companhia precisará ajustar as condições de saída para atrair os colaboradores remanescentes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España