A atração de investimentos para uma região é frequentemente explicada por seus recursos naturais e demográficos: minerais, energia, terras férteis e uma população jovem. No entanto, a infraestrutura institucional, muitas vezes negligenciada, emerge como um diferencial crucial. A Ibero-América, com suas décadas de cooperação intergovernamental e redes empresariais consolidadas, possui uma base sólida que tem impulsionado seu apelo para investidores globais.
Desde 1991, a região conta com Cúpulas de Chefes de Estado e de Governo, uma Secretaria Geral-SEGIB com mandato próprio, instituições financeiras de desenvolvimento atuantes e uma vasta rede de acordos comerciais. Somam-se a isso organizações empresariais presentes em cada país, articuladas em uma instância ibero-americana, a CEIB. Essa arquitetura, embora complexa, representa um arcabouço de governança que inspira confiança, um elemento vital para a decisão de investir e expandir negócios. Segundo dados recentes, a Ibero-América viu sua participação no investimento estrangeiro direto mundial crescer de 8% em 2015 para uma projeção de 12,8% em 2025, um indicativo de que essa infraestrutura institucional está, de fato, gerando resultados.
O Círculo Virtuoso da Confiança Empresarial
A confiança é o motor que transforma o potencial de uma região em realidade econômica. Para a Ibero-América, essa confiança é construída sobre a previsibilidade das regras, o cumprimento de contratos e a segurança de que investimentos realizados hoje continuarão a ser protegidos no futuro. A infraestrutura institucional, com sua ênfase em segurança jurídica, transparência e coerência entre o prometido e o aplicado, é fundamental para solidificar essa confiança. O XVI Encontro Empresarial Ibero-Americano, realizado em Madrid, exemplifica essa colaboração público-privada, reunindo líderes políticos e empresariais para discutir o futuro da região em um cenário global em constante mutação. O lema "Iberoamérica ante los desafíos de la economía global: fortalecer la colaboración público-privada" reflete a necessidade de alinhar estratégias para capitalizar os ativos estratégicos da região, como seus vastos recursos para a transição energética e sua capacidade de produção alimentar, convertendo-os em produtividade e crescimento sustentável.
O Papel Essencial das PMEs na Nova Economia
O crescimento sustentável na Ibero-América passa, invariavelmente, pelo fortalecimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (PMEs). Representando cerca de 99% das empresas na América Latina e empregando aproximadamente 67% da força de trabalho, as PMEs são a espinha dorsal da economia regional. Contudo, seu potencial ainda é subutilizado, com desafios significativos em produtividade, acesso a financiamento, adoção de tecnologia e inserção em mercados internacionais. Apenas uma em cada dez PMEs latino-americanas exporta, um índice consideravelmente inferior ao de economias europeias. Para reverter esse quadro, a agenda ibero-americana tem focado em um modelo de quatro dimensões: Território, Talento, Transformação e Tração. Essa abordagem visa traduzir conceitos amplos como investimento e digitalização em ações concretas que permitam às PMEs crescer, formalizar-se e inovar, transformando seu talento em um diferencial competitivo.
Alianças Estratégicas e o Futuro da Integração
A efetividade da infraestrutura institucional e o sucesso das PMEs dependem intrinsecamente de alianças estratégicas robustas. Organizações empresariais como o Conselho de Empresarios Iberoamericanos (CEIB), que representa milhões de empresas, e a Organização Internacional de Empregadores (OIE), com sua capilaridade global, desempenham um papel vital. Essas redes, ao conhecerem as realidades locais e negociarem com governos, garantem que a integração regional se traduza em oportunidades tangíveis para empresas e cidadãos. A colaboração com instituições como a OCDE, OEA, CAF, BID, e a SEGIB tem sido fundamental para desenvolver projetos em áreas como transição digital e inovação aberta. Plataformas como o "Espacio Empresarial Iberoamericano-Conecta" buscam facilitar a interconexão e identificar novas oportunidades de negócio, fortalecendo a teia de cooperação que sustenta o crescimento da região.
Perguntas em Aberto para a Próxima Década
Ao final de uma gestão de dois anos com a presidência espanhola e da CEIB, a agenda ibero-americana consolidou avanços em internacionalização, financiamento, digitalização e inteligência artificial. A rede empresarial está mais conectada e a convicção de que a colaboração entre governos e empresas é o caminho para o desenvolvimento se fortaleceu. No entanto, persistem desafios. A plena realização do potencial da região ainda requer a superação de barreiras estruturais e a garantia de que o crescimento seja inclusivo. A questão central para os próximos anos será como manter e aprofundar essa dinâmica de cooperação, garantindo que as oportunidades identificadas se convertam em prosperidade distribuída e que a confiança institucional continue a ser um pilar para atrair e reter investimentos de longo prazo.
O caminho percorrido demonstra o potencial da Ibero-América quando suas diversas partes interessadas trabalham em conjunto. A região está repleta de oportunidades, e a chave para capitalizá-las reside na manutenção dessa sinergia e na capacidade de traduzir a confiança gerada em ações concretas que beneficiem a todos. A hora da Ibero-América pode ter chegado, mas sua consolidação dependerá da execução contínua e da adaptação às dinâmicas globais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





