Ibiza, um dos destinos mais cobiçados da Europa, enfrenta um problema que o glamour das festas e praias não consegue esconder: seu esgoto. A estação de tratamento do aeroporto local, projetada para um fluxo de 5 a 6 milhões de passageiros por ano, hoje lida com mais de 9 milhões. O resultado é o despejo de água contaminada em um parque natural, segundo reportagem do site espanhol Xataka.

O colapso sanitário não é um acidente, mas um sintoma agudo do “overtourism” — o turismo excessivo. O caso expõe a fratura entre a busca incessante por mais visitantes e a incapacidade da infraestrutura pública de suportar esse crescimento, uma lição que ecoa muito além do Mediterrâneo.

A matemática do colapso

Os números são claros. Análises laboratoriais encontraram contaminação orgânica 17 vezes acima do limite legal e sólidos em suspensão 18 vezes maior. A presença da bactéria E. coli superou a capacidade de medição do próprio laboratório. Enquanto isso, a AENA, operadora do aeroporto, planeja uma expansão de €230 milhões para elevar a capacidade para 11 milhões de passageiros, com foco em uma nova sala VIP. A crítica de ativistas locais é direta: menos luxo e mais cumprimento da normativa ambiental.

Um espelho para o Brasil

O drama de Ibiza serve como um espelho para destinos turísticos brasileiros que vivem sob pressão semelhante. De praias no Nordeste a cidades históricas em Minas Gerais, a lógica se repete: o crescimento do fluxo de visitantes frequentemente acontece de forma desordenada, sem o correspondente investimento em saneamento básico, gestão de resíduos e abastecimento de água. A leitura aqui é que a busca por recordes de ocupação muitas vezes mascara uma infraestrutura que opera no limite ou já em colapso.

O debate em Ibiza opõe a visão de crescimento da operadora do aeroporto e a demanda de moradores e ambientalistas por sustentabilidade básica. A questão fundamental que emerge não é se o turismo é benéfico, mas qual o seu limite. Ignorar essa pergunta, como mostra o caso espanhol, tem um custo ambiental e social que nenhuma sala VIP consegue compensar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka