O Ibovespa iniciou a semana em forte baixa, recuando mais de 1,6% na manhã desta segunda-feira, 14 de setembro, para a casa dos 184 mil pontos. O movimento de aversão ao risco também se refletiu no câmbio, com o dólar registrando alta superior a 0,90% frente ao real, em um dia de nervosismo generalizado nos mercados.

A queda, no entanto, não pode ser atribuída a um único fator. O que se desenha é uma confluência de pressões: de um lado, o ruído político doméstico, com o cenário para 2026 já no radar dos investidores; de outro, a escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que joga o preço do petróleo para cima e adiciona uma camada de complexidade ao cenário inflacionário global.

O fantasma de 2026

O principal catalisador do mau humor doméstico foi a divulgação de uma nova pesquisa BTG Pactual/Nexus para a eleição presidencial de 2026. O levantamento, reportado pelo Money Times, mostra um cenário de polarização acirrada, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico num eventual segundo turno, com 47% e 46% das intenções de voto, respectivamente.

Para a Faria Lima, a mensagem é clara: a incerteza política, que parecia distante, já começou a ser precificada. Um cenário eleitoral fragmentado e com alta rejeição para os principais nomes (48% para Lula, 50% para Bolsonaro, segundo a pesquisa) sinaliza um longo período de volatilidade e dificulta a construção de consensos em torno de pautas econômicas estruturais.

O barril e a Super Quarta

Enquanto o risco político cresce internamente, o cenário externo adiciona combustível à fogueira. Ataques de rebeldes Houthi a instalações na Arábia Saudita e a consequente disrupção no fornecimento de petróleo empurraram o barril do tipo Brent para mais de US$ 109. Para o Brasil, a alta da commodity é uma faca de dois gumes: beneficia a Petrobras, mas pressiona a inflação e complica a vida do Banco Central.

O timing não poderia ser pior. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta "Super Quarta", mesma data da decisão do Federal Reserve americano. Com o petróleo em alta, a expectativa de um corte de 0,25 ponto na Selic, embora ainda majoritária, passa a ser observada com mais cautela, colocando o mercado em compasso de espera.

O pregão desta segunda-feira serve como um microcosmo dos desafios do investidor no Brasil. Preso entre a polarização política que se antecipa e choques externos sobre os quais não tem controle, o mercado opera sob tensão. As decisões de juros desta semana serão o primeiro teste, mas os vetores de risco parecem ter vindo para ficar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times