O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou uma aceleração em sua taxa de crescimento em setembro, registrando uma alta de 1,50%. Este desempenho contrasta significativamente com a variação de 0,06% observada no mês anterior, indicando um retorno da pressão inflacionária, conforme divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A principal força motriz por trás dessa aceleração foram os aumentos expressivos nos preços das commodities agrícolas e do setor de energia.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que detém 60% do peso no indicador geral, foi o principal responsável por essa nova trajetória ascendente. Em setembro, o IPA-DI subiu 1,95%, revertendo a modesta alta de 0,10% registrada em agosto. Segundo Matheus Dias, economista do FGV/Ibre, essa elevação foi marcada por aumentos expressivos em itens como soja, farelo de soja e milho, além do reajuste na gasolina automotiva. Esses movimentos no atacado tendem a se repercutir em cascata na economia.

Adicionalmente, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que compõe 30% do IGP-DI, também demonstrou uma pressão crescente sobre os lares brasileiros. Em setembro, o IPC avançou 0,67%, revertendo a queda de 0,37% vista em agosto. A alta foi majoritariamente influenciada pelo setor de habitação, com destaque para o aumento nas tarifas de eletricidade residencial após o fim dos efeitos de descontos ligados ao Bônus de Itaipu. Alimentos in natura, como tomate e batata-inglesa, também contribuíram para a elevação dos custos para o consumidor.

Por outro lado, o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) apresentou uma desaceleração em sua taxa de aumento, registrando 0,22% em setembro, inferior aos 0,66% do mês anterior. Apesar dessa moderação em um dos componentes, o impulso vindo do setor produtivo e do consumo foi suficiente para elevar o IGP-DI a um patamar mais alto.

O IGP-DI, ao calcular os preços ao produtor, consumidor e na construção civil, oferece um panorama abrangente das pressões inflacionárias em diferentes frentes da economia. A aceleração em setembro, impulsionada por matérias-primas essenciais como grãos e energia, levanta questões sobre a sustentabilidade da inflação e o impacto nas decisões de política monetária e fiscal nos próximos meses.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney