O mercado imobiliário de luxo global dá sinais de moderação, mas não na Espanha. Madrid e Barcelona registraram um aumento nos preços de residências de alto padrão de 2,4% e 1,5%, respectivamente, durante o primeiro semestre do ano. Os números, que constam do índice global da consultoria Savills, superam com folga a média de apenas 0,6% apurada entre 30 cidades de referência no mundo.

Num cenário de incerteza geopolítica e arrefecimento econômico, a performance das cidades espanholas sugere uma recalibragem na geografia do capital. A leitura é que, enquanto centros consolidados enfrentam estagnação, mercados com forte apelo cultural e preços relativamente mais baixos se tornam destinos atrativos para a alocação de patrimônio, especialmente para compradores internacionais.

A atratividade do desconto

O principal vetor de atratividade de Madrid e Barcelona é o preço. Apesar das altas recentes, o valor por metro quadrado no segmento ‘prime’ ainda oferece um desconto significativo em relação a outras capitais. Segundo a Savills, o preço médio em Madrid atinge 11.700 euros/m², e em Barcelona, 9.600 euros/m². Os valores contrastam fortemente com os 19.000 euros/m² de Paris, 25.000 euros/m² de Nova York ou 26.300 euros/m² de Genebra.

Essa diferença de patamar posiciona as cidades espanholas não como mercados baratos, mas como praças com maior potencial de valorização. A análise indica que investidores globais, incluindo possivelmente famílias e fundos latino-americanos, enxergam uma janela de oportunidade para entrar em um mercado europeu consolidado antes que ele atinja a saturação de preços vista em Londres ou Paris.

Resiliência e o novo teto

A resiliência do segmento é sustentada por dois pilares clássicos: oferta escassa e a robustez patrimonial dos compradores, que são menos sensíveis a flutuações nas taxas de juros. A demanda, tanto doméstica quanto internacional, continua sólida, o que leva a Savills a projetar um crescimento acima de 2% para Madrid e Barcelona também na segunda metade do ano — um desempenho que deve ser superado apenas pela Cidade do Cabo, na África do Sul.

O topo da pirâmide puxa o mercado para cima. Em Madrid, novos projetos já são lançados com preços que se aproximam dos 25.000 euros/m², enquanto em Barcelona, ativos singulares em localizações como Paseo de Gracia podem atingir picos de 18.000 euros/m². O volume de transações pode até moderar, mas o valor dos ativos continua em trajetória ascendente.

A dinâmica de Madrid e Barcelona ilustra uma fragmentação crescente no mercado global de luxo. A era dos ciclos sincronizados parece dar lugar a uma realidade onde fatores locais e a busca por valor relativo ditam os fluxos de capital. A questão que fica é até quando esse movimento de “catch-up” se sustentará antes que o desconto espanhol desapareça.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España