A Inbonis Rating, agência espanhola especializada em pequenas e médias empresas, anunciou um plano estratégico ambicioso para emitir 2.000 novos ratings nos próximos anos, elevando sua carteira total para cerca de 3.500 classificações de crédito até 2028. O anúncio, feito em Madrid, reforça o papel da firma como uma infraestrutura crítica para o tecido empresarial europeu.

A estratégia conta com o respaldo de nomes experientes do setor financeiro, incluindo José Antonio Álvarez, ex-CEO do Banco Santander, que atua como presidente não executivo da agência. A meta é clara: utilizar uma metodologia própria para preencher o vácuo de cobertura deixado pelas grandes agências internacionais, que historicamente negligenciam o segmento de midcaps.

O desafio da cobertura de midcaps

O mercado de midcaps na Europa é vasto, mas carece de transparência financeira padronizada. Segundo a Inbonis, existem cerca de 25.000 empresas de médio porte no continente, das quais aproximadamente 20% teriam potencial para atingir um grau de investimento. Contudo, a ausência de uma análise independente e comparável impede que essas companhias acessem fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário tradicional.

A metodologia da Inbonis foi desenhada especificamente para esse perfil de empresa, que possui dinâmicas de risco distintas das grandes corporações listadas. Ao oferecer um rating formal, a agência permite que essas empresas ganhem visibilidade perante investidores institucionais, facilitando a emissão de dívida privada e outros instrumentos de capital que, até então, eram inacessíveis.

Democratização e incentivos de mercado

O termo "democratizar o rating", utilizado pelo fundador Alberto Sánchez-Navalpotro, resume a tese de negócio da empresa. O mecanismo de incentivo é simples: ao reduzir a assimetria de informação, a Inbonis diminui o custo de capital para o emissor e aumenta a segurança para o investidor. Esse movimento é fundamental para a consolidação da União dos Mercados de Capitais na Europa.

A agência já possui reconhecimento oficial como Entidade de Avaliação do Crédito Externa (ECAI) pelo Eurosistema e pela Autoridade Europeia de Valores e Mercados (ESMA). Esse selo de qualidade é o que confere credibilidade ao rating, permitindo que os títulos emitidos por essas empresas sejam elegíveis para carteiras de investidores que exigem classificações reguladas.

Expansão geográfica e operacional

A estratégia de crescimento da Inbonis não se limita à Espanha. Com presença já estabelecida na França, a agência avalia agora a entrada no mercado britânico, o que dependeria do reconhecimento pelos supervisores locais. A expansão é vista como um passo natural para capturar o corredor industrial centroeuropeu, onde se concentra a maior parte das midcaps com potencial de rating.

Para suportar essa operação, a empresa planeja expandir sua equipe de 35 para cerca de 50 profissionais. O foco é manter a agilidade operacional enquanto escala a produção de relatórios de crédito, garantindo que a metodologia proprietária continue sendo aplicada com rigor, independentemente da jurisdição ou do setor da empresa avaliada.

Perspectivas de longo prazo

O sucesso da Inbonis dependerá da capacidade de convencer o mercado de que seus ratings possuem a mesma validade analítica que os das agências tradicionais. A aceitação por parte de fundos de crédito e investidores institucionais será o verdadeiro teste para a viabilidade do plano até 2028.

Além disso, o cenário macroeconômico europeu, marcado por flutuações nas taxas de juros e pela necessidade de diversificação das fontes de financiamento, joga a favor da proposta de valor da agência. Acompanhar a adoção desses ratings pelo mercado será essencial para entender se a estratégia de nicho conseguirá transformar, de fato, o acesso ao capital para as empresas médias europeias.

O mercado financeiro observa se a Inbonis conseguirá manter sua independência enquanto escala e se o volume de 2.000 novos ratings será suficiente para criar um padrão de mercado reconhecido. A trajetória da agência nos próximos três anos servirá como um termômetro para a viabilidade de modelos de análise focados em segmentos negligenciados pelo sistema financeiro tradicional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España