A taxa de inflação das economias que compõem a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) atingiu 4,6% em maio, um avanço de dois décimos em relação aos 4,4% observados em abril. O dado, divulgado recentemente, marca o patamar mais elevado desde agosto de 2024 e evidencia a persistência das pressões sobre o custo de vida nos países desenvolvidos.

Este movimento inflacionário ocorreu em um momento crítico, logo antes do anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. A expectativa é que a normalização das relações geopolíticas e a consequente redução das tensões no Oriente Médio possam alterar a dinâmica do mercado global de petróleo, que foi um dos principais vilões do índice no período analisado.

O impacto da energia na cesta de consumo

O componente energético foi o principal motor da aceleração inflacionária, registrando um aumento de 15,8% em termos interanuais, superando significativamente os 13,2% de abril. A intensidade desse choque não foi uniforme, com países como Canadá, Lituânia, Turquia e Estados Unidos reportando aumentos superiores a 20% no setor.

No bloco das sete maiores economias industrializadas (G7), o cenário foi semelhante. A inflação energética no grupo atingiu 17%, o maior nível registrado desde novembro de 2022. Essa dependência energética, exacerbada por tensões geopolíticas prévias ao acordo com o Irã, forçou bancos centrais a manterem uma postura cautelosa diante da inflação subjacente, que também subiu para 3,8%.

Dinâmicas regionais e a divergência do G7

Enquanto a média da OCDE subiu, o desempenho entre os países membros foi heterogêneo. Dos 38 países da organização, 16 registraram altas generalizadas, enquanto oito apresentaram queda na inflação e 14 mantiveram estabilidade. O G7, como um todo, viu sua inflação subir para 3,5%, embora com exceções notáveis como Alemanha e Japão, este último mantendo a menor taxa do bloco, em 1,5%.

Na zona do euro, a inflação atingiu 3,2% em maio, superando os 3% do mês anterior. Contudo, dados preliminares do Eurostat já sinalizam uma possível trégua para junho de 2026, com estimativas apontando uma queda para 2,8%, o que sugere que o pico de maio pode ter sido um ponto de inflexão para o bloco europeu.

Implicações do acordo para o mercado global

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã altera o tabuleiro geopolítico e energético. A queda observada nos preços do petróleo nas últimas semanas é uma resposta direta à expectativa de maior oferta e estabilidade nas rotas comerciais. Para os formuladores de políticas, o desafio é determinar se a descompressão energética será suficiente para conter a inércia inflacionária nos preços de serviços e bens industrializados.

Para os consumidores, a expectativa de queda nos preços de energia pode aliviar o orçamento doméstico a médio prazo. Contudo, a inflação subjacente, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, permanece resiliente em 3,8%, indicando que a pressão sobre os preços pode ser mais estrutural do que conjuntural, exigindo vigilância constante das autoridades monetárias.

O que observar nos próximos meses

A grande questão para o segundo semestre de 2026 é a velocidade com que o impacto do acordo com o Irã se traduzirá em deflação na bomba de combustível e, consequentemente, na cadeia produtiva. A sustentabilidade dessa tendência dependerá da manutenção da estabilidade geopolítica e da ausência de novos choques de oferta.

Os analistas devem monitorar de perto se a desaceleração observada na zona do euro em junho se confirmará como uma tendência global ou se as economias fora da Europa continuarão a enfrentar pressões inflacionárias distintas. A trajetória dos juros globais, por ora, permanece atrelada à rapidez dessa desinflação.

A estabilização dos preços de energia pode oferecer aos bancos centrais a margem necessária para ajustar suas políticas monetárias, mas a rigidez da inflação subjacente sugere que o caminho de volta às metas pode ser mais longo do que o antecipado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España