A dependência crescente de sistemas digitais críticos transformou a infraestrutura tecnológica de um mero suporte operacional em um componente central para a continuidade dos negócios. Data centers, redes de comunicação, sistemas de energia e as interfaces de programação (APIs) que orquestram a conexão entre plataformas e aplicações, embora frequentemente invisíveis ao usuário final, são os pilares que sustentam a disponibilidade dos serviços. Falhas em qualquer um desses elos podem desencadear uma cascata de problemas, desde lentidão e indisponibilidade de serviços até a interrupção completa de vendas, transações e, consequentemente, receitas. A percepção do cliente, no entanto, raramente distingue entre uma falha interna da empresa e um problema com um fornecedor externo; a responsabilidade recai sobre quem mantém o relacionamento comercial.
A expansão de sistemas que processam informações e executam tarefas em tempo real, impulsionada em parte pela inteligência artificial, intensifica essa vulnerabilidade. Quanto maior a quantidade de processos críticos apoiados por infraestrutura digital, mais crucial se torna avaliar sua resiliência e capacidade de recuperação diante de incidentes. O desafio para as organizações reside em mensurar com precisão o risco operacional, estimando a duração e a extensão de potenciais interrupções, o tempo necessário para restabelecer a operação e as perdas financeiras associadas. O impacto varia significativamente, dependendo do modelo de negócio, da concentração de dependências tecnológicas e da existência de planos de contingência.
Nesse cenário, a proteção securitária tradicional, focada em danos físicos a equipamentos e instalações, mostra-se insuficiente. Abre-se espaço para a evolução desses mecanismos, com soluções que considerem os efeitos financeiros da interrupção de serviços. Uma abordagem promissora é integrar a cobertura securitária mais de perto com a contratação dos próprios serviços de infraestrutura, estabelecendo parâmetros objetivos de cobertura, dados confiáveis e modelos consistentes de avaliação e precificação. Isso exige clareza sobre os eventos cobertos, as responsabilidades de cada parte na cadeia de valor e os critérios para avaliação de perdas.
A interdependência entre infraestrutura digital, gestão de riscos e o mercado segurador demanda inovação e capacidade analítica. É fundamental distinguir entre falhas de infraestrutura, incidentes cibernéticos, problemas com fornecedores e ocorrências operacionais do cliente, pois cada um possui causas e características distintas. A concentração de operações em poucos provedores, embora possa gerar eficiência, também cria dependências compartilhadas que afetam múltiplos setores simultaneamente. Para as seguradoras, compreender essas correlações é essencial para uma análise de risco eficaz. Contratar seguros, contudo, não substitui investimentos em redundância, monitoramento e planos de contingência; sua função é complementar, ajudando a dimensionar e transferir parte dos impactos financeiros remanescentes. A colaboração entre seguradoras e operadores de infraestrutura é vital para acessar informações sobre disponibilidade e histórico de incidentes, aprimorando a capacidade de proteção.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





