O modelo que definiu os hubs de inovação na última década e meia está em xeque. Para Paulo Emediato, head de crescimento e comunicação do inovabra, o ecossistema de inovação do Bradesco, as fórmulas que guiaram a criação desses espaços não respondem mais aos desafios atuais. A avaliação, feita em entrevista ao portal Startups, sinaliza um momento de inflexão para o setor.
A tese é que a combinação da transformação imposta pela inteligência artificial, as mudanças no mercado de corporate venture capital e o próprio amadurecimento das áreas de inovação nas grandes empresas tornaram o playbook tradicional — baseado em criar densidade, promover desafios e estimular conexões — insuficiente. O mundo mudou, e o que se espera de um hub, também.
O playbook em xeque
A inteligência artificial, segundo Emediato, não é apenas mais uma vertical a ser explorada, mas uma força que altera a própria operação de startups, fundos e corporações. No inovabra, isso se traduz em pesquisas sobre segurança de agentes de IA e na avaliação de um programa de residência, em parceria com o Centro de Excelência em IA (CEIA) de Goiás, para aprofundar a maturidade das startups no tema.
A proposta é ir além da simples aplicação da tecnologia. O objetivo é discutir a necessidade real de IA no core do produto e pensar em governança. “É para ajudar essas startups com maturidade na aplicação de IA, inclusive para entender se elas precisam de IA no produto”, afirmou Emediato. A leitura é que o papel do hub transcende a conexão e passa a ser o de um curador estratégico de tecnologia.
De conector a articulador
A experiência anterior de Emediato na Oxygea, o fundo de CVC da Braskem que foi encerrado no início do ano, serve como pano de fundo. O aprendizado, segundo ele, foi a necessidade de compreender a fundo as dores de empreendedores e corporações antes de desenhar programas. Esse cuidado é transportado para o inovabra, que opera em uma escala muito maior.
A atualização do papel do hub passa por endereçar o que o executivo chama de “dor latente” do ecossistema: o acesso a capital. A necessidade, contudo, é dupla. “Uma startup precisa de dinheiro e precisa de capital de cliente”, diz Emediato. A evolução, portanto, seria posicionar o hub menos como um espaço físico e mais como um articulador capaz de destravar as duas frentes, gerando negócios concretos.
Enquanto essa transição ocorre, a máquina operacional continua. Com cerca de 500 eventos por ano, o inovabra segue sendo um “festival permanente”. O desafio, agora, é fazer com que essa atividade massiva se traduza em valor mensurável e estratégico, justificando sua relevância na nova economia da inovação, onde a conexão por si só já não é mais o produto final.
Com reportagem de Brazil Valley
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