O Banco Inter, que saltou de 8 mil para 45 milhões de clientes em uma década, agora enfrenta o desafio de aprofundar sua relação com os usuários para aumentar a lucratividade e o retorno aos acionistas. O objetivo é ambicioso: elevar o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) dos atuais 10,3% para 30% nos próximos dez anos. Alexandre Riccio, CEO do Banco Inter no Brasil, delineia essa estratégia, que se apoia no forte reconhecimento da marca e na expansão do uso de seus serviços, desde pagamentos cotidianos até investimentos e crédito.
A Trajetória de Crescimento e o Foco na Rentabilidade
A jornada do Inter, segundo Riccio, pode ser dividida em fases. Inicialmente, entre 2014 e 2016, o foco foi a construção da infraestrutura do banco digital. Seguiu-se um período de expansão acelerada, impulsionado por captações de investidores e pelo IPO em 2018, que elevou a base de clientes de 400 mil para quase 30 milhões em 2022. Naquela etapa, a prioridade era o crescimento da base e o desenvolvimento de produtos, com a rentabilidade em segundo plano estratégico. A partir de 2023, a companhia passou a priorizar a melhoria dos resultados financeiros, com o ROE atingindo 10,3% no primeiro trimestre de 2026. A meta de 30% é vista como uma consequência da execução consistente desse plano, sem a necessidade de tomadas de risco desproporcionais.
Conquistando o Papel de Banco Principal
Uma peça-chave dessa estratégia é consolidar o Inter como o banco principal dos clientes, muitos dos quais mantêm contas em múltiplas instituições. A resposta reside em oferecer produtos que se integrem à rotina e acompanhem o cliente ao longo de sua vida. Pagamentos e investimentos são vistos como serviços essenciais para fortalecer esse vínculo. A oferta de produtos transparentes e duradouros, em contraposição a ofertas promocionais com condições pouco claras, é um diferencial buscado pelo banco. A iniciativa de abrir contas para menores de idade, com cerca de 3,5 milhões de jovens ainda nessa faixa etária, ilustra a aposta em construir relacionamentos de longo prazo que evoluam com as necessidades dos clientes, seja para investir, contratar seguros ou financiar a casa própria.
A Revolução da Inteligência Artificial
Riccio antecipa que a próxima década testemunhará transformações ainda mais profundas nos serviços financeiros do que as vistas nos últimos dez anos, com a inteligência artificial (IA) como principal catalisadora. A IA tem o potencial de revolucionar o acesso aos serviços e a interação com as instituições financeiras, permitindo a realização de tarefas por meio de comandos de voz e conversas. Além disso, a tecnologia promete aprimorar a personalização das ofertas, adaptando uma mesma plataforma para atender a um espectro mais amplo de necessidades de diferentes públicos. Para o Inter, o desafio reside em integrar essas ferramentas de forma eficaz aos produtos e à experiência do cliente.
Incertezas e a Busca por um "Porto Seguro"
Olhar dez anos à frente também implica reconhecer um cenário de incertezas globais, tanto no avanço tecnológico quanto na geopolítica. Riccio destaca que o momento atual é marcado por uma instabilidade sem precedentes. Nesse contexto, o Banco Inter pretende sustentar seu crescimento e consolidar seu papel como um "porto seguro" para os clientes, mantendo a consistência na oferta de produtos e na preservação do relacionamento, mesmo diante de mudanças nos hábitos de consumo e nas dinâmicas do mercado. A aposta é que a capacidade de adaptação e a inovação, aliadas a uma estratégia de longo prazo, permitam ao Inter navegar por este cenário complexo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





