Paul Wick, CIO da Seligman Investments, enxerga semelhanças entre o atual frenesi em torno da inteligência artificial (IA) e a bolha das empresas pontocom que estourou no início do século XXI. No entanto, o investidor veterano aponta que o contexto atual é mais saudável, afastando os receios de um crash iminente e desemprego em massa.
Wick recorda que, no final dos anos 1990 e início dos 2000, houve uma explosão de startups de internet e um investimento massivo em infraestrutura de telecomunicações. Essa euforia, combinada com o aumento de preços de energia e taxas de juros, ecoa em parte o cenário atual de gastos em centros de dados e startups de IA. Contudo, o que diferencia o momento presente é a ausência de uma febre de ofertas públicas iniciais (IPOs) e de um ambiente especulativo onde ações disparam em questão de dias. Ao contrário de 2000, quando já se previa uma desaceleração nos gastos com TI para 2001, o investimento empresarial em IA permanece robusto e os lucros recentes de empresas de tecnologia têm sido sólidos. Essa solidez na demanda e nos resultados confere um pano de fundo mais estável à atual onda de inovação.
Ao ser questionado sobre as preocupações de Michael Burry, o investidor conhecido por prever a crise imobiliária de 2008, Wick minimizou os alertas. Burry havia apontado contabilidade agressiva, financiamento circular e excesso de investimento em ativos depreciáveis como motivos para ceticismo. Wick, contudo, classificou Burry como "cedo ou completamente errado em muitas outras coisas". Em relação à Nvidia, que tem investido pesadamente no ecossistema de IA, o investidor destacou a lucratividade extraordinária da empresa. Ele ponderou se o capital excedente deveria ser usado apenas em recompra de ações, em vez de apoiar clientes, especialmente diante do movimento de grandes players para desenvolver seus próprios chips de IA.
No entanto, Wick não deixa de observar tendências de mercado que merecem atenção. Clientes empresariais podem optar por modelos mais antigos ou desenvolver suas próprias soluções, e a precificação de tokens pode sofrer pressão com a adoção de modelos open-source. Isso levanta questões sobre a real dimensão da oportunidade de mercado para empresas como OpenAI e Anthropic. Para jovens profissionais, Wick sugere que, embora um diploma em ciência da computação já tenha sido um caminho garantido para o sucesso, aprender um ofício com alta demanda, como eletricista ou técnico de HVAC, pode ser uma alternativa mais segura e lucrativa, dispensando a necessidade de um curso superior de quatro anos. A noção de que a IA aniquilará a demanda por trabalho humano, segundo ele, é "um pouco prematura", dada a incerteza sobre seu impacto em funções de entrada e a inércia natural em mudanças comportamentais de empresas e consumidores.
A leitura aqui é que, embora os paralelos com a bolha pontocom sejam evidentes, a maturidade do mercado de tecnologia, a força da demanda corporativa por IA e a menor euforia especulativa criam um ambiente mais resiliente. As preocupações sobre o futuro do trabalho e a consolidação do mercado de chips de IA, contudo, permanecem como pontos de atenção cruciais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider




