A oposição dos investidores europeus a políticas de remuneração executiva registrou uma queda em 2026, atingindo 30,9%, um recuo em relação aos 34,5% observados no ano anterior. O dado, parte do ‘Relatório sobre a Temporada de Juntas de Acionistas na Europa de 2026’ da consultoria Georgeson, indica uma suavização na resistência a essas práticas. No entanto, o estudo também aponta para uma ampliação da lacuna entre a posição dos acionistas e as propostas das empresas em relação ao mecanismo de 'say on pay' — a consulta aos acionistas sobre a remuneração dos executivos. Essa divergência cresceu para 11,4 pontos percentuais, quase o dobro dos 6,8 pontos registrados em 2025.

Tendências por País e Temas de Governança

A análise da Georgeson, que examinou os resultados de voto em juntas anuais de nove países europeus, revela disparidades significativas entre as nações. A Alemanha despontou com a maior proporção de políticas de remuneração controversas, chegando a 88,9%, enquanto os Países Baixos apresentaram o menor índice, com 10,5%. Em termos de dissidência direta, a Suíça liderou com 52,5% de votos contrários, contrastando com a Irlanda, que registrou a menor taxa de oposição, apenas 6,3%. O Reino Unido mostrou uma das menores oposições tanto para políticas (15,6%) quanto para relatórios de remuneração (8,1%).

Emissão de Ações e Eleição de Conselheiros

Além das políticas de remuneração, outras resoluções de governança também foram escrutinadas pelos investidores. A autorização para emissão de ações viu sua oposição cair para 13,4%, uma diminuição em relação aos 18,9% anteriores. Por outro lado, a eleição de conselheiros registrou um leve aumento na oposição, passando de 12,2% para 12,4%. Carlos Sáez Gallego, diretor da Georgeson na Espanha, comentou que empresas que falharam em abordar votações contrárias de anos anteriores sobre remuneração podem ter enfrentado penalidades na reeleição ou nomeação de membros do conselho, especialmente aqueles ligados às comissões de remuneração.

Implicações para a Governança Corporativa

A persistência da oposição em certas jurisdições e a ampliação da divergência no 'say on pay' sinalizam um escrutínio contínuo sobre a estrutura de remuneração executiva na Europa. Embora a tendência geral seja de menor oposição, a profundidade do debate e a exigência por justificativas mais robustas por parte dos acionistas parecem crescer. A conexão entre a remuneração e a composição dos conselhos, como apontado por Sáez Gallego, sugere que a governança corporativa está cada vez mais interligada, com falhas em uma área podendo impactar diretamente a confiança dos investidores em outras instâncias de gestão.

Perguntas em Aberto

A análise da Georgeson oferece um panorama importante sobre as prioridades dos investidores europeus em 2026. Resta saber se a tendência de suavização da oposição se manterá em médio prazo ou se as divergências crescentes em pontos específicos como o 'say on pay' podem reverter esse quadro. A forma como as empresas responderão a essas demandas e ajustarão suas políticas de remuneração e governança nos próximos anos será crucial para a manutenção da confiança do mercado e para a atração de capital.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España