A euforia em torno da inteligência artificial, que permitiu a startups captarem recursos com promessas vagas em 2021, dá lugar a um escrutínio mais rigoroso. A percepção de que a IA pode ser uma solução para qualquer problema está sendo substituída pela necessidade de demonstrar valor tangível e sustentável. O fundador e CEO da Leo AI, Maor Farid, argumenta que o mercado está em um processo de correção, onde empresas capazes de entregar valor real e manter seus clientes em crescimento acelerado se destacam.

O novo critério de investimento

Farid destaca que, para uma empresa de IA ser defensável e atraente para investidores, três pilares são fundamentais. Primeiro, a melhoria oferecida pela tecnologia deve justificar o investimento. Uma otimização de 10% em uma tarefa não crítica raramente altera a dinâmica de uma empresa, ao contrário de uma solução que reduz processos críticos de semanas para minutos ou gera economias substanciais. Segundo, a expertise de domínio é essencial. Com modelos de fronteira cada vez mais acessíveis via API, a diferenciação reside na compreensão profunda de um setor para resolver problemas que ferramentas genéricas não alcançam. Por fim, o contexto proprietário, como conhecimento de engenharia acumulado ao longo de décadas e trancado em documentos antigos ou na mente de funcionários experientes, é vital. Um produto de IA que não acessa esse conhecimento terá dificuldade em se tornar indispensável.

Financiamento e o futuro das IPOs de IA

As próximas ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas de IA colocarão esses modelos de negócios sob intensa pressão. Investidores públicos analisarão métricas como retenção líquida de receita e margens brutas, avaliando se o crescimento rápido se traduz em um negócio sustentável. A eficiência na implantação, onde o suporte se torna mais barato à medida que a empresa cresce, também será um fator decisivo. Esses padrões estabelecidos influenciarão as expectativas dos investidores em fases anteriores. Conversas de captação de recursos já refletem essa mudança: um milhão de dólares em Receita Anual Recorrente (ARR) não é mais um marco isolado, pois empresas de IA podem atingir esse valor rapidamente e desaparecer em seguida.

O foco na expansão e no valor a longo prazo

O que os investidores buscam agora é a expansão, ou seja, o aumento do gasto dos clientes após a implantação inicial. Isso serve como prova de que o produto mudou a forma como a organização opera e que os clientes estão comprometendo mais orçamento. Nos próximos 12 a 24 meses, espera-se que o capital flua para empresas que combinam expertise profunda em setores com melhorias significativas em trabalhos críticos e acesso a conhecimento proprietário dos clientes. Essas empresas podem crescer através de implantações práticas, em vez de autoatendimento viral, expandindo-se dentro de contas que confiam nelas. Companhias que oferecem apenas uma fina camada sobre modelos de terceiros, mesmo com listas impressionantes de clientes, enfrentarão dificuldades em suas próximas rodadas de financiamento. A busca agora é por crescimento rápido e estável ao longo de cinco anos, em vez de um crescimento espetacular por apenas cinco trimestres.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Crunchbase News