O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta sexta-feira, 3, que Teerã voltará a adotar medidas proporcionais caso os Estados Unidos e Israel falhem em honrar os entendimentos firmados após o recente conflito. Em um cenário de transição política marcado pelos preparativos para o funeral do aiatolá Ali Khamenei, o regime iraniano elevou o tom das ameaças, prometendo respostas mais severas a qualquer nova agressão.

Segundo reportagem do Money Times, a declaração de Ghalibaf ocorreu durante encontro com autoridades chinesas, reforçando a posição de que a segurança e a regulação do tráfego no Estreito de Ormuz são temas que competem exclusivamente aos países do Golfo. A retórica aponta para uma tentativa de isolar a influência americana em uma das rotas marítimas mais críticas para o comércio global de energia.

A nova dinâmica de poder em Teerã

A transição para o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, coloca a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em um papel central de vigilância. A força militar declarou estar em plena prontidão, um sinal claro para Washington e Tel Aviv de que a mudança no comando não implica em uma postura de conciliação, mas sim na continuidade da doutrina de dissuasão iraniana.

O papel da China e a soberania no Golfo

Ao alinhar o discurso com o vice-presidente do Congresso Nacional do Povo da China, He Wei, Teerã busca garantir apoio diplomático e econômico para manter o controle sobre Ormuz. A menção à resolução de questões de trânsito com navios chineses sugere que o Irã está priorizando alianças estratégicas que contornam a influência ocidental, tentando neutralizar possíveis sanções ou bloqueios.

Tensões entre Trump e o regime iraniano

O contraste entre as declarações de Donald Trump, que afirmou acreditar na aceitação iraniana dos termos do acordo, e a postura de Ghalibaf revela uma fragilidade diplomática. O governo iraniano acusa Israel de tentar sabotar o memorando bilateral, criando um jogo de percepções onde o que foi acordado em bastidores parece divergir da retórica pública de ambos os lados.

Outlook para o Oriente Médio

O futuro da estabilidade na região permanece incerto enquanto as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei ocupam o centro das atenções. O mercado observa com cautela, pois qualquer erro de cálculo na interpretação dos termos negociados pode levar a uma escalada militar repentina no Estreito de Ormuz, afetando diretamente a cadeia logística global.

A transição de poder no Irã, combinada com a desconfiança mútua entre Teerã, Washington e Tel Aviv, sugere que o período de relativa calmaria pós-guerra pode ser apenas uma pausa estratégica. A capacidade das partes em manter a comunicação aberta, apesar das ameaças, será o fator determinante para evitar um novo ciclo de hostilidades no Golfo nos próximos meses. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times