O Ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu duramente a uma nova rodada de sanções impostas pelos Estados Unidos nesta semana, acusando Washington de promover “terrorismo econômico”. Em um comunicado oficial, a chancelaria iraniana afirmou que as medidas violam a Carta das Nações Unidas e o direito internacional.
A escolha do termo “terrorismo” não é casual. Ela representa uma escalada na guerra retórica entre os dois países, enquadrando a pressão econômica americana não como uma ferramenta diplomática, mas como um ato de agressão ilegítima. A leitura aqui é que Teerã busca construir uma narrativa para o público internacional, especialmente nações não alinhadas, pintando os EUA como um agressor que utiliza o sistema financeiro global como arma.
A semântica da guerra híbrida
Ao classificar as sanções como “terrorismo de Estado”, o Irã tenta deslocar o debate do campo da política externa para o da segurança internacional e dos direitos humanos. A acusação, segundo reportagem do InfoMoney, é que os EUA usam o dólar como instrumento para coagir outros países a aderirem ao seu regime de sanções, efetivamente “expulsando” o Irã do sistema econômico global.
A estratégia é argumentar que as sanções não punem apenas o regime, mas infligem “sofrimento e dor ao povo do Irã”, o que poderia ser caracterizado como um “crime contra a humanidade”. Teerã invoca uma decisão de 2018 da Corte Internacional de Justiça sobre bens humanitários para reforçar seu ponto. É uma tentativa de ganhar a batalha da opinião pública e isolar Washington moral e juridicamente, mesmo que o efeito prático imediato seja limitado.
Apesar da retórica inflamada, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, deixou uma porta entreaberta, afirmando que negociações não são impossíveis. A condição, no entanto, é que os EUA “construam confiança” e abandonem a pressão. A declaração expõe a dualidade da posição iraniana: denunciar a agressão enquanto sinaliza, ainda que de forma tênue, uma disposição para o diálogo, colocando o ônus de um primeiro passo sobre Washington.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





