O Irã reafirmou que não pretende reabrir o Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, até que os Estados Unidos atendam a uma lista de exigências. A posição foi reiterada nesta segunda-feira por Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, que colocou a responsabilidade da resolução do impasse em Washington, segundo reportagem do InfoMoney.

As condições iranianas são claras: o fim do bloqueio americano a seus portos, o pagamento de indenizações por danos de guerra, a remoção de sanções econômicas e a liberação de ativos iranianos congelados. O fechamento, que já dura cinco meses, transformou uma artéria vital para o comércio de petróleo em uma peça central do xadrez geopolítico no Oriente Médio.

A alavanca do petróleo

A estratégia de Teerã é um movimento calculado que eleva a pressão sobre a economia global e, em particular, sobre a política interna americana. Ao bloquear o trânsito de cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, o Irã não apenas responde às sanções, mas utiliza seu controle geográfico como uma poderosa ferramenta de negociação. A tática transforma o estreito de uma via de passagem em um ativo estratégico para forçar concessões.

O impacto é imediato, com os preços da energia servindo de termômetro para a tensão, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA em novembro. As conversas paralelas com Omã sobre um possível corredor temporário de navegação sinalizam uma porta entreaberta para a diplomacia, mas a mensagem principal é de que qualquer solução duradoura passa por um acordo direto com Washington, sob os termos impostos por Teerã.

O impasse em Ormuz testa os limites da política de sanções e reafirma o peso da geografia nas relações internacionais. A bola está no campo americano, que agora precisa calcular o custo econômico e político de manter a pressão sobre o Irã versus o preço de ceder para estabilizar os mercados de energia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney