A Irani (RANI3) divulgou resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2026 que superaram as projeções de mercado, especialmente no segmento de papelão ondulado. O desempenho robusto, impulsionado pelo avanço nas vendas e ganhos de participação de mercado, conseguiu mitigar pressões de custos com matérias-primas e uma leve queda em outros segmentos de embalagens.
O Ebitda ajustado da companhia atingiu R$ 152 milhões, um aumento de 16% na comparação trimestral e de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado representou um recorde trimestral para a Irani e superou em 9% as estimativas da XP Investimentos e em 3% as do Itaú BBA. A margem Ebitda alcançou 33,3%, demonstrando a eficiência operacional da empresa.
Desempenho e Estratégia no Papelão Ondulado
O principal motor por trás desses números foi o segmento de papelão ondulado. Os volumes de vendas atingiram 47,7 mil toneladas, um crescimento expressivo de aproximadamente 8% em relação ao trimestre anterior. Este avanço foi o dobro da média do mercado brasileiro, que registrou um crescimento de 4%, segundo dados da Empapel. Como resultado direto, a participação de mercado da Irani no setor subiu para 4,3%, um aumento em relação aos 4,1% do trimestre anterior e aos 3,8% do mesmo período em 2025. Essa expansão indica uma estratégia bem-sucedida de conquista de mercado e uma demanda crescente por suas soluções de embalagem.
Em contrapartida, as vendas de papel para embalagens registraram uma leve retração de 1,6%, totalizando 31,5 mil toneladas. Essa queda foi intencional, pois a empresa priorizou a alocação de recursos internos para abastecer a produção de papelão ondulado, demonstrando uma clara estratégia de focar nos segmentos de maior crescimento e rentabilidade.
Mitigando Custos e Melhorando a Estrutura Financeira
Apesar do aumento nos preços das aparas de papel reciclado (OCC) – matéria-prima essencial para a produção de papel –, que variou entre 7% e 9%, a Irani conseguiu expandir seus resultados. Esse feito foi possível graças à maior diluição dos custos fixos sobre um volume maior de produção e à ausência de impactos negativos de paradas de manutenção, como a da turbina geradora de energia (TG#4) que afetou o trimestre anterior. A gestão de custos e a otimização da produção foram cruciais para manter a rentabilidade em alta.
A estrutura financeira da companhia também apresentou melhora significativa. A relação entre dívida líquida e Ebitda recuou de 2,07 vezes para 1,89 vez, indicando uma redução do endividamento em relação à capacidade de geração de caixa. A dívida líquida, ao final de setembro, somava R$ 992 milhões.
Perspectivas e Recomendações
Diante desses resultados, tanto a XP Investimentos quanto o Itaú BBA mantiveram suas recomendações de compra para as ações da Irani (RANI3). A XP estabeleceu um preço-alvo de R$ 10, enquanto o Itaú BBA projetou R$ 13. Para a XP, os volumes robustos e os ganhos contínuos de participação de mercado reforçam uma perspectiva positiva para a companhia. O Itaú BBA, por sua vez, destacou o recorde operacional e a notável melhora na estrutura financeira como pilares de sua análise.
O desempenho da Irani no 3T26 evidencia a capacidade da empresa de executar sua estratégia de crescimento em segmentos-chave, ao mesmo tempo em que gerencia eficientemente seus custos e otimiza sua estrutura de capital. A consolidação no mercado de papelão ondulado, aliada a uma gestão financeira prudente, sugere um caminho promissor para a companhia nos próximos trimestres, apesar dos desafios macroeconômicos e de custos de matéria-prima.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





