O toque de um tecido plissado por Issey Miyake é inconfundível. Leve, quase aéreo, ele se move com o corpo, uma segunda pele arquitetônica que desafia a gravidade e a própria noção de vestuário. É uma assinatura construída sobre a maleabilidade de fibras sintéticas, um feito de engenharia têxtil que se tornou sinônimo de vanguarda. Agora, imagine essa mesma lógica aplicada a um material que é seu oposto conceitual: o couro. Denso, orgânico, com peso e história.
É exatamente essa a proposta da IM MEN, a linha masculina da casa japonesa, com sua nova série de bolsas “LEATHER PLEATS”. A coleção, que será lançada em 1º de setembro de 2026, representa mais do que um novo acessório; é um exercício de tradução. A marca transporta sua gramática de design mais fundamental — o plissado — para um novo idioma material, trocando a fluidez do poliéster pela sobriedade do couro.
A gramática do material
O trabalho de Miyake sempre foi sobre processo e inovação material. As linhas Pleats Please e Homme Plissé são o testemunho de como uma única ideia, levada à sua máxima expressão técnica, pode definir uma identidade. Ao aplicar o plissado ao couro, a IM MEN não está apenas decorando uma superfície, mas sim renegociando as propriedades do próprio material. O couro, tradicionalmente cortado e costurado para criar forma, aqui é dobrado e esculpido, ganhando uma estrutura sanfonada que é ao mesmo tempo rígida e flexível.
A funcionalidade, no entanto, não é sacrificada no altar do conceito. A coleção chega em dois tamanhos pragmáticos: um maior, capaz de acomodar um laptop de 13 polegadas, e um menor, para o essencial do dia a dia. Com alças ajustáveis e bolsos internos, o design demonstra que a vanguarda pode, e deve, servir à vida cotidiana. É a filosofia de Miyake em sua forma mais pura: a beleza que emerge da função.
Um objeto que vive
Talvez o aspecto mais interessante da coleção “LEATHER PLEATS” seja sua relação com o tempo. Diferente dos tecidos sintéticos, que parecem suspensos em uma juventude perpétua, o couro desta bolsa foi projetado para envelhecer. A marca afirma que o material irá desenvolver uma pátina e um brilho mais ricos com o uso, absorvendo as marcas da jornada de seu proprietário.
Nesse gesto, a bolsa se afasta da estética futurista e se aproxima de uma sensibilidade mais orgânica, quase artesanal. Ela se torna um objeto vivo, um recipiente de memórias que se manifestam em sua superfície. Em um mercado saturado por produtos descartáveis e tendências efêmeras, a aposta em um acessório que melhora com o tempo é uma declaração de valor. A bolsa deixa de ser um mero item de moda para se tornar um companheiro.
Mais do que um acessório, a peça se propõe como um diário em couro. A questão que permanece não é sobre o que ela carrega por dentro, mas sobre as histórias que sua superfície contará com o passar dos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hypebeast





