O Itaú BBA revisou sua projeção para as ações do Inter (INTR; INBR32), reduzindo o preço-alvo de US$ 10 para US$ 8. A instituição reiterou a classificação neutra para o papel, sinalizando cautela diante de uma possível desaceleração no ritmo de crescimento dos lucros nos próximos trimestres.
Segundo relatório da equipe liderada por Pedro Leduc, o banco digital atravessou uma fase de transição bem-sucedida, saindo de resultados próximos a zero para retornos sobre o patrimônio (ROE) na casa dos 15%. Contudo, o momento atual exige uma pausa, com expectativas de lucro para 2026 e 2027 cortadas em 6% e 10%, respectivamente.
O desafio da carteira de crédito
A estratégia de diversificação do mix de produtos, com foco em cartões de crédito e consignado privado, foi fundamental para o avanço das margens financeiras líquidas (NIMs) do Inter. Entretanto, o que antes servia como alavanca de rentabilidade agora impõe um desafio de risco. O Itaú BBA aponta que o amadurecimento dessas safras de crédito traz pressões que superam o benefício imediato das margens elevadas.
O custo de risco tornou-se o principal entrave para a reprecificação positiva da ação. A leitura dos analistas é que o processo de maturação dos produtos está forçando ajustes na subscrição de crédito, o que deve limitar o momentum de lucro até que os custos se normalizem. A expectativa é de que a carteira de crédito desacelere para cerca de 25% ao ano.
Ajustes operacionais e eficiência
Para compensar os resultados mais fracos na linha de crédito, o banco deve intensificar os esforços de eficiência operacional. O BBA projeta um crescimento das despesas gerais e administrativas (SG&A) de 15% em 2026, gerando ganhos marginais de eficiência. A disciplina no controle de gastos é vista como uma peça-chave para proteger o lucro líquido enquanto a inadimplência não estabiliza.
A implementação de garantias para o consignado privado e o aprimoramento da política de crédito para cartões são vistos como medidas mitigadoras. O processo de revinculação de garantias, embora ainda manual, é um passo que o BBA considera vital para reduzir o custo de risco do produto de patamares elevados para níveis mais controláveis.
Perspectivas de longo prazo
Apesar das revisões negativas de curto prazo, o BBA mantém a visão de que a tese de longo prazo do Inter permanece intacta. O banco projeta uma trajetória de crescimento do ROE, estimando 15% em 2026, com progressão para 17% em 2027 e alcançando 23% até 2030. A base de clientes é considerada um ativo robusto que sustenta essa expansão futura.
A recomendação neutra reflete a necessidade de sinais mais claros de inflexão no custo de risco antes de uma postura mais otimista. O mercado aguarda a normalização das safras de crédito para confirmar se os drivers de receita e custo estão de fato alinhados com o potencial de longo prazo da instituição.
Incertezas no horizonte
O que permanece em aberto é a velocidade com que o banco conseguirá converter as novas políticas de crédito em uma redução efetiva da inadimplência. Observar a performance dos próximos trimestres será crucial para entender se as medidas de eficiência serão suficientes para compensar o ambiente de crédito mais restritivo.
O mercado continuará monitorando a capacidade do Inter de navegar entre a expansão da base de clientes e a manutenção da qualidade da carteira. A reprecificação do papel dependerá, em última análise, da comprovação de que as margens ajustadas ao risco podem retomar o crescimento de forma sustentável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





