O Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da Lojas Renner (LREN3) de R$ 16 para R$ 18, representando um potencial de valorização de 21%. A mudança na recomendação para compra reflete uma nova perspectiva sobre a capacidade da varejista de gerar retorno ao acionista, sustentada por revisões limitadas de risco no curto prazo.
A atualização das estimativas ocorreu após a análise dos resultados do primeiro trimestre de 2026 e uma visita ao centro de distribuição de Cabreúva. Segundo o banco, a projeção de lucro líquido para 2026 e 2027 foi elevada em 4%, consolidando a visão de que a empresa se posiciona mais como um ativo de "carry" do que como uma história de crescimento acelerado.
A tese de valor e dividendos
O BBA projeta um retorno total ao acionista (TSR) anual de aproximadamente 16% nos próximos três anos. A estratégia da Renner em devolver caixa aos investidores, incluindo uma política de dividendos e recompras que pode atingir rendimento próximo a 10% em 2026, é o pilar central da recomendação. A leitura da casa é que a empresa atingiu uma maturidade operacional onde a eficiência na alocação de capital supera a necessidade de expansão agressiva.
Esta mudança de percepção é fundamental para entender o papel da varejista no portfólio dos investidores. Ao reduzir as expectativas de crescimento exponencial e focar na remuneração do acionista, a Renner tenta se blindar contra a volatilidade do setor, transformando-se em uma opção defensiva dentro do segmento de vestuário, que historicamente sofre com variações cíclicas.
Preferência estratégica pela C&A
Apesar da melhora na visão sobre a Renner, o Itaú BBA mantém a C&A (CEAB3) como sua preferida no setor. A justificativa reside no valuation: a C&A negocia abaixo de 6 vezes o preço sobre o lucro (P/L) projetado para 2026, um desconto superior a 30% em relação à Renner. O banco aponta que a C&A voltou a superar o mercado em termos de crescimento, indicando uma execução comercial superior no momento atual.
A questão tributária sobre o varejo transfronteiriço também entra na equação. Embora o fim da chamada "taxa das blusinhas" traga incertezas, o BBA avalia que o impacto competitivo das asiáticas diminuiu. A tese é que, com a produção local e a pressão tributária, as empresas estrangeiras perderam o ímpeto inicial, permitindo que as varejistas brasileiras operem com maior previsibilidade.
Riscos e o desafio do vestuário
O principal desafio para a tese de compra da Renner reside no desempenho do IDAT de vestuário. O setor depende estritamente do momento de consumo, e a meta de crescimento de 9% a 13% estabelecida pela companhia é vista como ambiciosa. Com um primeiro semestre marcado por resultados moderados, o segundo semestre de 2026 torna-se o fiel da balança para as projeções do mercado.
O segundo trimestre, especificamente, enfrenta uma base de comparação difícil, o que coloca pressão sobre os próximos balanços. A análise do BBA enfatiza que qualquer sinal de enfraquecimento no indicador de vendas nas mesmas lojas (IDAT) deve resultar em revisões negativas de lucro, o que impactaria diretamente o preço das ações independentemente da avaliação atual de valor.
Perspectivas para o setor
O que permanece em aberto é a resiliência do consumidor brasileiro diante de um cenário de juros e inflação ainda desafiador. A capacidade da Renner em equilibrar a rentabilidade com a necessidade de ganhar market share será testada nos próximos trimestres. O mercado observará de perto se a estratégia de "carry" será suficiente para sustentar o preço da ação caso o crescimento orgânico continue abaixo das metas.
O setor de vestuário vive um momento de reajuste estrutural, onde a eficiência logística e o controle de custos tornaram-se tão importantes quanto a moda. A disputa entre a solidez financeira da Renner e o potencial de valorização por desconto da C&A define o tom do debate sobre o varejo de moda brasileiro para o restante do ano.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





