O Itaú Unibanco está em negociações avançadas para locar uma nova torre corporativa na Zona Sul de São Paulo, segundo reportagem do Metro Quadrado. O movimento visa expandir a capacidade física para acomodar equipes de áreas estratégicas, com destaque para a estrutura das chamadas agências virtuais, onde gerentes realizam atendimentos exclusivamente online, dispensando a necessidade de presença em agências físicas tradicionais.

O novo mapa da ocupação bancária

O banco avalia dois projetos de alto padrão em fase final de construção na região da Chácara Santo Antônio. Uma das opções é o Alto das Nações, complexo da Altre que se tornará o edifício mais alto da capital paulista, com 219 metros e quase 90 mil metros quadrados de área corporativa. A alternativa é o Esther Towers, empreendimento da Eztec na Avenida Chucri Zaidan, com edifícios de aproximadamente 45 mil metros quadrados cada.

Esta busca por novos espaços reflete uma mudança na dinâmica do setor financeiro paulistano. Enquanto a Faria Lima enfrenta baixa vacância e patamares de preços superiores a R$ 300 por metro quadrado, grandes instituições financeiras começam a olhar para regiões vizinhas que oferecem custo-benefício mais atrativo. A decisão do Itaú segue uma tendência iniciada por outras instituições, como a XP, que também optou pela Chácara Santo Antônio para centralizar suas operações de backoffice.

A economia do modelo híbrido

O diferencial financeiro desta estratégia é evidente na comparação de preços de locação. Enquanto a Faria Lima mantém os valores mais altos do mercado imobiliário corporativo, o valor pedido no Esther Towers gira em torno de R$ 110 por metro quadrado, enquanto no Alto das Nações a cifra chega a R$ 120. Essa diferença de quase 60% em relação ao centro financeiro tradicional permite ao banco otimizar custos operacionais mantendo a infraestrutura de alta qualidade exigida para suas equipes.

Além disso, o modelo de agências virtuais exige um ambiente de trabalho projetado para a conectividade, e não necessariamente para o atendimento presencial de público, o que viabiliza a ocupação de lajes corporativas em regiões que não possuem a mesma densidade de tráfego de clientes do varejo bancário tradicional. O movimento é, portanto, uma resposta direta à digitalização do atendimento bancário, que desvincula a necessidade de espaço físico da localização geográfica dos clientes.

Tensões no mercado imobiliário

Para o mercado de escritórios, a entrada de um inquilino do porte do Itaú em um desses projetos representa um fôlego necessário para absorver o estoque de prédios novos que ainda buscam ocupação. A região da Chácara Santo Antônio, embora consolidada, ainda enfrenta desafios para atingir taxas de vacância próximas aos níveis de excelência da Faria Lima. A presença de um player desse calibre pode atuar como um catalisador para a valorização da região.

Para os reguladores e competidores, a mudança levanta questões sobre como os grandes bancos estruturarão suas operações no pós-pandemia. A consolidação das agências virtuais sugere que o modelo de atendimento remoto não é apenas uma medida temporária, mas parte estrutural da nova organização bancária, o que impacta diretamente a demanda futura por agências de rua e centros de atendimento presenciais.

Perspectivas para o setor

O que permanece em aberto é a velocidade com que outras instituições seguirão esse movimento de descentralização. A decisão final do Itaú, caso se confirme, consolidará a Chácara Santo Antônio como um polo alternativo para operações financeiras que não dependem da proximidade imediata com o coração do mercado de capitais.

O mercado imobiliário deve observar de perto qual dos dois projetos será o escolhido, pois a escolha sinaliza não apenas uma preferência por custo, mas uma visão de longo prazo sobre o hub corporativo que o banco pretende consolidar para sustentar sua operação digital.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Metro Quadrado