O Itaú Ventures anunciou um investimento na Simile, startup americana que utiliza inteligência artificial para simular o comportamento humano. O aporte, que estende a Série B de US$ 200 milhões da companhia, marca uma nova fase na relação entre o banco e a empresa, que já era cliente e pioneira no uso da tecnologia na América Latina.
A Simile desenvolveu um modelo fundacional capaz de simular como populações, organizações e mercados reagiriam a diferentes cenários e decisões. Essa capacidade permite que empresas testem hipóteses antes de implementá-las, com um indicador de confiança associado a cada resultado. Na prática, a tecnologia funciona como um gerador de usuários sintéticos para pesquisas de produto e marketing, permitindo a validação de estratégias em ambientes virtuais.
O movimento do Itaú Ventures
A entrada do Itaú Ventures na Simile, embora não tenha o valor divulgado, reforça a estratégia "AI First" do banco. Carlos Eduardo Mazzei, CTO do Itaú Unibanco, destacou que a Simile possui uma abordagem inovadora para modelar o comportamento humano e simular cenários complexos, com grande potencial para complementar a agenda de IA do banco. O Itaú Ventures, criado em 2019 e reestruturado no ano passado, foca em startups em rodadas série A e B, com sinergia com os negócios do banco, abrangendo áreas como serviços financeiros, infraestrutura, cibersegurança e IA aplicada.
A tese de investimento da Simile
A Simile foi fundada por Joon Sung Park, doutor em IA por Stanford, com base em sua tese sobre agentes de IA vivendo vidas simuladas. O argumento comercial da empresa ganhou força com a ascensão da IA generativa, que democratizou a criação de produtos e campanhas. O gargalo, segundo a Simile, passou a ser a decisão do que criar, para quem e como trazer à vida. A ambição da empresa é simular os oito bilhões de habitantes do planeta de forma precisa e honesta, uma tese que já atraiu clientes como CVS Health, Wealthfront, Deloitte e Gallup.
Trajetória de crescimento acelerado
A velocidade da Simile no mercado é notável. A empresa saiu do anonimato em fevereiro com uma Série A de US$ 100 milhões, liderada pela Index Ventures. Cinco meses depois, fechou a Série B, totalizando US$ 300 milhões em menos de meio ano. A Série B contou com a participação de investidores como Index Ventures, Hanabi, Bain Capital Ventures, A*, Factory, Definition e CVS Health Ventures. Nesse período, a receita da Simile cresceu cinco vezes, a equipe expandiu globalmente e o modelo rodou dezenas de milhões de simulações para empresas da Fortune 100.
Implicações para o mercado
O investimento do Itaú na Simile sinaliza uma tendência crescente de bancos e grandes corporações buscando soluções de IA que vão além da automação de processos, focando em simulação e análise preditiva de comportamento. Para o ecossistema de venture capital, a rodada da Simile valida o potencial de startups que desenvolvem modelos fundacionais de IA para aplicações em negócios e marketing. A capacidade de testar cenários complexos em ambientes virtuais pode reduzir riscos e otimizar decisões estratégicas em diversos setores.
A entrada do Itaú Ventures como sócio na Simile demonstra uma aposta em tecnologias que podem transformar a forma como empresas entendem e interagem com seus clientes e mercados. A capacidade de simular comportamentos humanos em larga escala abre um leque de possibilidades para o planejamento estratégico e a inovação.
Com reportagem de Brazil Valley
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