A Itaúsa, holding que controla o Itaú Unibanco, acaba de injetar mais R$ 732 milhões na Aegea Saneamento. O aporte, realizado no âmbito de um aumento de capital da companhia, elevou a participação da Itaúsa de 13,27% para 14,01%, conforme comunicado ao mercado.

O movimento reforça a posição da holding como um dos principais sócios da maior empresa privada de saneamento do país. Mais do que um ajuste de portfólio, o investimento é a consolidação de uma tese de longo prazo: a Itaúsa se posiciona como um provedor de capital paciente em um setor que demanda investimentos massivos e oferece retornos em décadas, não em trimestres.

A tese do capital paciente

Para a Itaúsa, a Aegea é uma peça-chave na estratégia de diversificação para além do setor financeiro. A holding busca ativos de infraestrutura com receita previsível e forte potencial de crescimento, e o saneamento brasileiro, com seu déficit histórico e a nova legislação, é um alvo evidente. Diferente de um fundo de private equity, a Itaúsa não opera com uma janela de saída definida, o que a torna a parceira ideal para projetos de maturação lenta.

Do lado da Aegea, o capital é o oxigênio para cumprir os contratos bilionários de concessão arrematados nos últimos anos, como os blocos da Cedae no Rio de Janeiro. A empresa tem uma necessidade contínua de financiamento para expandir a rede de água e esgoto em linha com as metas contratuais. A subscrição da Itaúsa no aumento de capital valida a capacidade da Aegea de atrair sócios estratégicos para bancar seu crescimento.

O movimento, embora incremental no percentual acionário, é estratégico. Ele reafirma que, na corrida pela universalização do saneamento no Brasil, a disputa não é apenas operacional, mas também sobre quem tem acesso ao capital mais resiliente e de longo prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney