Jamie Dimon, o longevo CEO do JPMorgan Chase, comprou uma briga com seus pares em Wall Street. Em entrevista à CNBC, Dimon defendeu a controversa mudança de comunicação implementada por Kevin Warsh, o novo chairman do Federal Reserve. A decisão de Warsh de abandonar a prática do “forward guidance”, que sinalizava os próximos passos da política de juros, gerou forte ansiedade no mercado de Treasuries.
Para o chefe do maior banco americano, a reação é exagerada. A leitura aqui é que o apoio de Dimon oferece um escudo político crucial para Warsh, sinalizando um racha na elite financeira sobre qual deve ser o papel do banco central: garantir a previsibilidade para o mercado ou ter máxima flexibilidade para combater a inflação, que não fica abaixo da meta de 2% desde 2021, segundo reportagem da revista Fortune.
O fim da previsibilidade
Por anos, o mercado se acostumou com um Fed que telegrafava suas intenções, uma estratégia que visava reduzir a volatilidade e ancorar expectativas. Warsh, no entanto, propõe um novo jogo: o mercado deve “jogar a bola, não o árbitro”, forçando investidores a analisar os dados econômicos por si mesmos, em vez de apenas seguir as dicas do comitê de política monetária (FOMC).
Para críticos, a mudança é uma regressão que aumenta a incerteza desnecessariamente. Mas para seus defensores, como Dimon, a medida faz “tremendo sentido”. Torsten Sløk, economista da Apollo Global Management, classificou a decisão como “pragmática”, argumentando que ela restaura os sinais reais do mercado e acaba com uma falsa sensação de certeza. Dimon foi mais direto ao comentar a reação dos operadores: “as pessoas estão chiando como porcos”.
O caminho do meio
O debate, no entanto, não é binário. Jeremy Siegel, professor emérito de finanças da Wharton, concorda com o fim do 'forward guidance', mas aponta uma falha na abordagem de Warsh. Para Siegel, mesmo sem dar dicas sobre os próximos passos, o Fed tem a obrigação de explicar o arcabouço econômico por trás de suas decisões — algo que, em sua visão, o novo chairman não fez de forma satisfatória em sua primeira coletiva de imprensa.
Warsh parece ciente da necessidade de recalibrar a estratégia. Ele anunciou a criação de cinco forças-tarefa para reavaliar desde a comunicação e a qualidade dos dados até o balanço do Fed e os novos motores de produtividade, como a inteligência artificial. Os resultados são esperados para o início do próximo ano.
O movimento sugere uma tentativa de reconstruir a política monetária sobre novas bases, menos dependentes da gestão de expectativas de curto prazo. O apoio de Dimon dá a Warsh o capital político para suportar a turbulência inicial. A questão que fica é se a disciplina de longo prazo que ele busca compensará a ansiedade que sua nova doutrina já está causando no presente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





