A trajetória da Nvidia, de uma ideia em um restaurante a uma das empresas mais valiosas do mundo, é um marco da era da inteligência artificial. No entanto, o CEO Jensen Huang, com uma fortuna estimada em US$ 196 bilhões, aponta um ingrediente menos glamoroso por trás desse sucesso: o sofrimento.
Huang declarou recentemente que, para realizar algo extraordinário, é preciso encarar a adversidade. "Ninguém sofre melhor do que eu", afirmou, em conversa com a Korea Society. "Para fazer algo incrível, é preciso sofrer. Não é um passeio no parque. Se fosse um passeio no parque, qualquer um poderia fazer." Para Huang, esse sofrimento assumiu diversas formas ao longo dos 33 anos da Nvidia. Nos primórdios, era a ignorância sobre o próprio negócio. "À medida que a empresa avança, há contratempos, ou as pessoas não acreditavam no seu futuro, ou não acreditavam em você", disse. "Talvez o mercado não acreditasse em você, talvez os clientes não acreditassem em você."
No entanto, o sofrimento por si só não é suficiente, segundo Huang. É necessária resiliência, teimosia e determinação para superá-lo. "É preciso resiliência para continuar acreditando em si mesmo", acrescentou. Essa perspectiva sobre o trabalho e a adversidade não é nova para Huang. Em 2024, ele incentivou jovens a abraçar o atrito em suas carreiras, afirmando que "pessoas com expectativas muito altas têm resiliência muito baixa – e, infelizmente, a resiliência importa no sucesso". Ele brincou que uma de suas grandes vantagens é ter "expectativas muito baixas".
A dedicação de Huang é notória, com relatos de que ele trabalha sete dias por semana, movido por um medo persistente de que a Nvidia possa fracassar. "Você conhece a frase 'a 30 dias de falência', eu a uso há 33 anos", confessou em uma entrevista no ano passado. "Mas o sentimento não muda. A sensação de vulnerabilidade, a sensação de incerteza, a sensação de insegurança – ela não te abandona."
A visão de Huang sobre o sofrimento como catalisador para o sucesso encontra eco em outros líderes empresariais. Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, resume essa ideia na equação "Dor + Reflexão = Progresso". Dalio argumenta que a dor é inevitável ao buscar objetivos ambiciosos e que, se abordada corretamente, pode ser uma oportunidade de aprendizado e evolução. "Acredite ou não, você tem sorte de sentir esse tipo de dor se você a abordar corretamente, porque é um sinal de que você precisa encontrar soluções para poder progredir."
Similarmente, Winston Weinberg, cofundador e CEO da startup de IA Harvey, destacou a importância de falhar repetidamente para aprender. "Acho que é muito difícil descobrir isso sem falhar. Você só tem que falhar um milhão de vezes", disse. Para Weinberg, aprender com os fracassos exige desapego do ego e uma análise honesta do que deu errado e do que funcionou, descrevendo o processo como "destruir seu ego 24/7", mas, em última instância, "uma ótima maneira de aprender".
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





