O mercado de previdência privada no Brasil, que movimenta um volume de R$ 1,7 trilhão, enfrenta um desafio estrutural: como entregar retornos competitivos diante de um arcabouço regulatório que ainda limita o acesso a ativos alternativos. Para gestores como Samer Serhan, sócio e diretor de investimentos da JiveMauá, a solução não reside em aguardar por mudanças normativas, mas em otimizar a alocação dentro das regras vigentes.
Segundo reportagem do InfoMoney, a JiveMauá tem direcionado seus esforços para créditos estruturados e debêntures de infraestrutura. A estratégia busca mitigar os riscos do cenário macroeconômico atual ao priorizar instrumentos que oferecem garantias reais e preferência no recebimento, superando a performance dos títulos de crédito convencionais.
A filosofia do pior cenário
A abordagem da JiveMauá para a estruturação de portfólios previdenciários baseia-se em um rigor analítico que assume, por princípio, a falência da empresa tomadora do crédito. Serhan explica que cada operação é desenhada para garantir a máxima recuperabilidade possível, mesmo em casos de recuperação judicial ou renegociação de dívidas.
Essa postura, embora conservadora, não exclui o potencial de ganho para o cotista. Caso a empresa supere as projeções de desempenho, um prêmio adicional é repassado integralmente ao investidor. Esse mecanismo permite elevar o retorno final da operação, frequentemente superando o CDI em margens de 3% a 4% ao ano.
Mecanismos de proteção e incentivos
O sucesso dessa estratégia depende da capacidade da gestora em identificar ativos que, mesmo sob estresse, mantenham fluxos de caixa previsíveis. A preferência por debêntures de infraestrutura não é casual; esses ativos possuem características contratuais que conferem maior resiliência em momentos de volatilidade, atuando como um contraponto à exposição do crédito corporativo tradicional.
Ao estruturar a dívida já considerando a possibilidade de inadimplência, a gestora alinha seus incentivos aos do cotista. O modelo transfere para o investidor o upside de operações que performam acima do esperado, criando um incentivo para que a estruturação inicial seja robusta o suficiente para suportar cenários adversos.
Limitações regulatórias e o horizonte global
Atualmente, os fundos de previdência como PGBLs e VGBLs ainda enfrentam restrições severas para acessar categorias de ativos alternativos, como investimentos em participações e crédito complexo. Esse cenário contrasta com mercados maduros, onde fundos de previdência alocam entre 20% e 25% de seu patrimônio em instrumentos de maior complexidade.
Embora a regulação brasileira ainda seja um gargalo, há uma expectativa de que a convergência para padrões globais seja uma questão de tempo. Enquanto essa flexibilização não ocorre, a JiveMauá demonstra que é possível extrair valor através de uma gestão ativa e focada na qualidade da garantia real.
O futuro da previdência privada
O debate sobre a abertura do mercado de previdência para ativos alternativos permanece central para o crescimento do setor. A capacidade dos gestores em navegar por essas restrições atuais define, em última instância, a atratividade do produto para o investidor de longo prazo.
Acompanhar a evolução das alocações da JiveMauá e de outros players do segmento será fundamental para entender como o mercado se adaptará às mudanças regulatórias futuras. O equilíbrio entre a prudência necessária ao capital previdenciário e a busca por retornos superiores continua sendo o principal desafio do setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney — Onde Investir





