Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital e um dos nomes mais influentes do venture capital global, está liderando um investimento de US$ 12,5 bilhões para adquirir, ao lado do ex-CEO da Disney Bob Iger, uma fatia de 83% do Los Angeles Lakers, uma das franquias mais icônicas da NBA. A transação, que ainda depende de aprovação, representa a venda da participação da família Buss, embora a negociação enfrente contestações legais internas, segundo reportagem da revista Fortune.
O movimento consolida Kushner como um investidor relevante no universo dos esportes profissionais, com participações anteriores no Memphis Grizzlies e no Miami Heat. Contudo, a análise que emerge no mercado é que a aquisição vai muito além do glamour de possuir um time lendário. O verdadeiro prêmio pode estar na estrutura tributária do negócio, que funciona como um poderoso escudo fiscal para indivíduos de altíssimo patrimônio.
O escudo fiscal dos bilionários
A legislação americana permite que donos de times esportivos utilizem uma engenharia fiscal sofisticada para minimizar seus impostos. A estratégia central consiste em alocar uma parcela substancial do preço de compra — analistas preveem que pode chegar a 90% no caso dos Lakers — a “ativos intangíveis”. Estes incluem desde os valiosos direitos de mídia e a força da marca até os contratos dos próprios jogadores.
Esses ativos podem ser amortizados ao longo de 15 anos, gerando perdas contábeis anuais que, na prática, não representam saídas de caixa. Essas “perdas no papel” são então usadas para abater lucros tributáveis de outras fontes de renda do proprietário. O resultado é uma redução drástica da conta a pagar ao fisco, mesmo que a franquia esportiva se valorize e suas operações sejam lucrativas.
Do venture capital ao Staples Center
Para Kushner, o timing da aquisição é particularmente estratégico. A Thrive Capital detém participações em algumas das startups mais valiosas do mundo, como SpaceX, OpenAI e Stripe. A expectativa é que, nos próximos anos, essas posições gerem um volume monumental de ganhos de capital tributáveis. A compra dos Lakers, portanto, funciona como uma preparação para esse evento de liquidez.
Segundo especialistas consultados pela Fortune, a estrutura permite que Kushner utilize as deduções geradas pelo time para compensar os lucros de seus investimentos em tecnologia. Trata-se de uma ferramenta de planejamento patrimonial mais vantajosa que o setor imobiliário, tradicionalmente usado para fins similares. O negócio mostra como um ativo de prestígio pode ser, ao mesmo tempo, um instrumento financeiro de alta performance.
O movimento de Kushner ilustra uma fronteira cada vez mais tênue entre o investimento em um negócio operacional e a estruturação de um portfólio pessoal. Para a elite do capital, um time da NBA não é apenas um time; é uma peça fundamental em um complexo quebra-cabeça tributário, jogado em uma escala que poucos conseguem acessar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





