O JPMorgan Bank publicou um estudo que pode redefinir o radar de investidores interessados no mercado de inteligência artificial (IA). Após um ciclo de euforia e volatilidade, muitos se perguntam se ainda há espaço para ganhos expressivos no setor. A resposta do banco, segundo sua análise global, é afirmativa — mas com um caveat importante: as maiores oportunidades podem não estar nas empresas de tecnologia mais conhecidas, e sim em um universo mais amplo e, em grande parte, ainda inexplorado.

O estudo mapeou um ecossistema de 2.636 empresas com alguma exposição à cadeia de valor da IA. Deste total, uma vasta maioria — 73% — opera fora dos ETFs (fundos de índice) dedicados à IA e das cestas temáticas tradicionais. Após filtros rigorosos que consideraram a exposição à receita e a avaliação de analistas setoriais, o JPMorgan refinou a lista para 937 ações. Deste grupo, 672 são de pequena e média capitalização (SMid Caps), enquanto 265 são consideradas large caps. A joia da coroa do relatório são as 225 ações identificadas como "novas oportunidades" — ainda pouco exploradas pelo mercado, mas com potencial significativo segundo o banco.

O Ciclo de Investimentos em IA Ainda tem Pernas

A principal tese do JPMorgan é que o próximo estágio do investimento em IA transcenderá as mega-capitalizações de tecnologia que dominaram os ganhos recentes. Os estrategistas do banco afirmam que, contrariamente ao consenso de mercado, são as empresas de menor e média capitalização que oferecem as oportunidades mais atraentes neste momento. Essa visão desafia a percepção de que o ciclo de investimentos em IA poderia estar próximo de um pico.

O banco argumenta que os gastos bilionários em IA são sustentáveis. Segundo o relatório, apenas 189 empresas respondem por cerca de 90% dos investimentos globais em IA nos últimos três anos — e essas mesmas companhias possuiriam capacidade financeira, via geração de caixa e acesso a crédito, para cobrir com folga os gastos globais previstos para 2027. Isso sugere, na visão do JPMorgan, que o "superciclo" de investimentos em IA — que impulsiona a demanda por semicondutores, infraestrutura, data centers, energia e software — possui bases financeiras sólidas para continuar.

Seletividade é Crucial em Valuations Elevados

A recomendação do JPMorgan, no entanto, não é um cheque em branco para qualquer ação ligada à IA. O relatório alerta que uma parcela significativa do universo já negocia com múltiplos elevados, comparáveis aos da bolha das empresas de tecnologia do início dos anos 2000, quando se analisa o valuation frente ao crescimento esperado dos lucros. A lição é clara: a seletividade é fundamental.

A expansão do olhar para além das gigantes de tecnologia é apontada como essencial para capturar o valor que o mercado ainda não precificou adequadamente. A constatação de que "há muito mais empresas expostas à IA do que o mercado percebe" é um chamado à ação para investidores que buscam diversificar e encontrar novas fontes de retorno.

Pequenas e Médias Empresas: O Epicentro das Oportunidades

O estudo destaca que empresas de pequena e média capitalização compõem a vasta maioria (81%) de todas as companhias expostas à IA identificadas pelo banco, e representam 77% do universo considerado líquido para investidores institucionais. Essas empresas frequentemente ocupam posições estratégicas na cadeia produtiva da IA, fornecendo componentes, infraestrutura, redes, energia, conectividade e serviços especializados.

Setores como tecnologia, indústria, materiais básicos e infraestrutura são apontados como beneficiários diretos da expansão de data centers e semicondutores. A análise regional aponta os Estados Unidos e a Ásia como os principais centros de oportunidade: os EUA representam 32% das empresas globais identificadas, enquanto a Ásia — China, Japão e outros mercados — concentra parcela relevante dos fornecedores tecnológicos. Oportunidades menos óbvias também emergem em segmentos como infraestrutura energética, equipamentos industriais e serviços de TI.

O Futuro da IA no Radar dos Investidores

Apesar de um rali recente que perdeu força, o JPMorgan mantém uma visão construtiva sobre o tema. O banco argumenta que o mercado focou excessivamente em um grupo restrito de vencedores, negligenciando a ampla cadeia produtiva que se beneficiará da expansão dos investimentos.

Entre os exemplos de empresas que atuam em diferentes etapas dessa cadeia — de infraestrutura de data centers e redes a semicondutores e energia —, o relatório cita nomes como Vertiv (VRT), Arista Networks (ANET), Super Micro Computer (SMCI), Celestica (CLS), Amphenol (APH), Flex (FLEX), Eaton (ETN), Schneider Electric, Equinix (EQIX), Digital Realty (DLR), Taiwan Semiconductor (TSMC) e ASML. O que resta saber é quão rápido o mercado reavaliará essas oportunidades e como a dinâmica competitiva se desenrolará entre empresas estabelecidas e novos entrantes.

O relatório do JPMorgan serve como um lembrete de que, mesmo em setores de alta visibilidade como a inteligência artificial, a diligência e a busca por oportunidades fora do consenso podem ser a chave para desbloquear retornos significativos. A identificação de 225 ações ainda pouco exploradas sugere que o potencial de crescimento e inovação na área de IA está longe de se esgotar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney