O Bank of America (BofA) revisou suas projeções para a trajetória da taxa Selic, desenhando um cenário de afrouxamento monetário mais longo do que o mercado antecipava. Segundo reportagem do InfoMoney, o banco agora projeta que a taxa básica de juros chegará a 11,25% ao fim de 2027, uma revisão significativa frente à estimativa anterior de 12,75% para o mesmo período.
A tese se ampara na desaceleração da atividade econômica, inflação mais comportada e um ritmo menor de expansão do crédito. Nesse ambiente, a estratégia de investimento se volta para empresas cujo desempenho se assemelha ao de títulos de renda fixa de longo prazo — as chamadas “bond proxies” —, que se beneficiam diretamente da queda do custo de capital.
As 'bond proxies' no centro da tese
O conceito de “bond proxy” é central para a análise do BofA. Trata-se de companhias com fluxos de caixa previsíveis e resilientes, muitas vezes atuando em setores regulados como infraestrutura e utilities. A queda dos juros longos aumenta o valor presente desses fluxos futuros, tornando suas ações mais atrativas. A Equatorial (EQTL3) surge como a favorita no setor de energia, com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em 12% e alta sensibilidade aos juros.
Na mesma linha, a Ecorodovias (ECOR3) se destaca no setor de transportes com a maior TIR real entre as empresas analisadas, na casa de 17%. Para o setor de shoppings, apesar de o banco considerar as TIRs menos atrativas em geral, a Allos (ALOS3) é a principal escolha pela previsibilidade de seus resultados. A aposta é clara: em um cenário de juros estruturalmente mais baixos, a qualidade e a previsibilidade da receita valem ouro.
Onde o risco não compensa
Em contrapartida, o BofA demonstra cautela com outros setores. Mesmo após correções recentes, as ações de Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) são vistas como caras. As TIRs implícitas para as operadoras de telecomunicações, de 9,2% e 8,9%, respectivamente, ainda estão abaixo do potencial oferecido por outras empresas sensíveis aos juros. A leitura é que o prêmio de risco não é justificado.
Da mesma forma, a Rumo (RAIL3), gigante da logística ferroviária, tem seu potencial atrelado a uma recuperação do ciclo de grãos, cujo momento é incerto. A análise do banco, portanto, não é apenas um endosso cego a empresas de capital intensivo, mas um filtro criterioso que pondera o potencial de retorno contra as incertezas setoriais e macroeconômicas.
O relatório do BofA funciona menos como uma previsão e mais como um mapa estratégico. Ele sugere uma rotação de portfólio para investidores que buscam se posicionar para um novo regime de juros no Brasil, onde a estrutura de capital e a previsibilidade de longo prazo se tornam os principais vetores de valor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





