A curva de juros futuros brasileira teve um dia de alívio, mas a trégua não foi para todos. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimentos de curto e médio prazo fecharam em queda nesta quinta-feira, refletindo um otimismo renovado com indicadores domésticos e o apetite de investidores estrangeiros pela bolsa local.

O movimento, segundo reportagem do Money Times, foi puxado por uma combinação de fatores que deram ao mercado razões para recalibrar as expectativas imediatas. A leitura, no entanto, é que o otimismo é seletivo. Enquanto a ponta curta da curva reagia à política monetária, a ponta longa, que reflete o risco fiscal e estrutural, seguiu em trajetória de alta, sinalizando que as preocupações de fundo permanecem inalteradas.

O gatilho da inflação

O principal catalisador do bom humor foi a prévia da inflação de agosto. O IPCA-15 registrou uma deflação de 0,40%, mais intensa do que a mediana das projeções de mercado, que apontava para -0,30%. O dado foi interpretado como um sinal verde para o Banco Central, reforçando a tese de que há espaço para a autoridade monetária continuar o ciclo de cortes da taxa Selic sem pausas no horizonte próximo.

Esse sentimento foi rapidamente precificado. A corretora XP Investimentos, por exemplo, revisou sua projeção para a Selic terminal em 2026, reduzindo-a de 14% para 13,25%. A mensagem é clara: no curto prazo, a trajetória da política monetária parece mais previsível e benigna do que se temia há algumas semanas.

Sinais de confiança

O otimismo não veio apenas da inflação. O mercado de capitais também deu sua contribuição, com a bolsa brasileira engatando a sétima alta consecutiva, um movimento atribuído em parte ao retorno do fluxo de capital estrangeiro. Esse apetite pelo risco Brasil foi testado e confirmado em um evento técnico crucial: o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional.

A demanda firme pelos papéis, especialmente nos vencimentos mais curtos, foi vista como um voto de confiança. Segundo analistas, o resultado positivo do certame ajudou a animar o mercado ao longo da tarde, indicando que há compradores dispostos a absorver o risco relacionado à política monetária de curto prazo.

A divergência entre as pontas curta e longa da curva de juros, contudo, é o verdadeiro enredo do dia. O alívio nos vencimentos mais próximos parece tático, ancorado em dados conjunturais. A teimosia da ponta longa em ceder mostra que as dúvidas estratégicas sobre a sustentabilidade fiscal do país continuam a exigir um prêmio de risco elevado. A trégua é bem-vinda, mas a batalha de fundo está longe de terminar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times