O som que preenche o estúdio de Kathleen MacKenzie não é o ruído constante das sirenes ou o zumbido elétrico de Tribeca, onde viveu por mais de três décadas, mas o canto dos pássaros que habitam o Mid-Hudson Valley. Em Rosendale, a cerca de 160 quilômetros da metrópole, a artista transformou a parte traseira de uma garagem em um refúgio de 400 pés quadrados, um espaço onde a luz natural atravessa claraboias e janelas para iluminar um processo criativo que se tornou, ao longo dos últimos 14 anos, um exercício de meditação e introspecção.
O refúgio da quietude
A mudança para o interior em 2012 não foi apenas geográfica, mas uma reconfiguração existencial de sua prática. MacKenzie descreve seu estúdio como um ambiente de "meditativa vacuidade", onde a ausência de interrupções permite que ideias complexas de técnicas mistas ganhem forma com uma clareza que o ambiente urbano raramente permitia. A rotina é disciplinada, começando às dez da manhã e terminando no final da tarde, pontuada apenas pelo ritual do chá e pela escolha deliberada entre o silêncio absoluto ou o jazz, dependendo da natureza técnica de sua tarefa.
A tecnologia como tela
Embora MacKenzie transite com facilidade entre a pintura, o desenho e a construção de livros artesanais, é no ambiente digital que ela encontra seu maior entusiasmo. A edição de vídeos experimentais no Final Cut Pro, executada em seu iMac, representa o ápice de sua exploração artística atual. Esta intersecção entre o material e o virtual, no entanto, enfrenta as limitações físicas do isolamento, como a velocidade da internet e a instabilidade da rede celular, que permanecem como desafios prosaicos em meio ao seu processo criativo etéreo.
Conexão e comunidade
Apesar da busca pelo silêncio, a vida de MacKenzie em Rosendale é profundamente integrada a uma rede local vibrante e eclética. Sua participação em grupos de poesia, leituras de microfone aberto e sua colaboração com artistas de livros e instituições como o Woodstock Artists Association and Museum (WAAM) demonstram que o isolamento criativo não é sinônimo de desconexão social. A artista encontra no ambiente local não apenas a inspiração para seu trabalho, mas um público que valoriza a produção artística como parte fundamental da experiência comunitária.
Perspectivas de um fazer contínuo
O que permanece em aberto, porém, é a tensão constante entre a necessidade de tecnologia de ponta para a produção de arte digital e a preferência por um estilo de vida que, por definição, afasta-se dos centros de inovação tecnológica. A busca por um equilíbrio entre a serenidade necessária para a criação e as demandas de um mundo conectado sugere que o estúdio de um artista contemporâneo nunca é um lugar estático, mas um espaço em perpétua negociação com o exterior.
Ao observar o céu através das claraboias de seu estúdio, MacKenzie nos convida a refletir se o isolamento é a condição necessária para a profundidade artística ou se ele é apenas um filtro que escolhemos para melhor ouvir nossa própria voz. O que resta de uma obra quando o silêncio que a cercou se torna parte integrante de sua estrutura?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





