As bolsas asiáticas apresentaram um quadro misto nesta terça-feira (13), mas a Coreia do Sul se destacou pela forte aversão a risco. O índice Kospi, que representa a bolsa sul-coreana, registrou uma queda acentuada de 5,46%, fechando em 6.035,35 pontos. A volatilidade foi tamanha que as negociações chegaram a ser temporariamente interrompidas pela Korea Exchange — uma medida rara adotada para conter a instabilidade excessiva nos pregões.
Semicondutores em queda livre
A principal força motriz por trás dessa queda expressiva foi a preocupação com o avanço tecnológico da China no setor de semicondutores. A ChangXin Memory Technologies (CXMT) anunciou uma nova arquitetura de chip com redução significativa na área das células, com planos de lançar um produto baseado nessa tecnologia até o final de 2026. Essa notícia gerou um temor imediato de aumento da concorrência para as gigantes sul-coreanas, como Samsung Electronics e SK Hynix, cujas ações tombaram 7,4% e 10,1%, respectivamente. A analista Kim Yun-jeong, da LS Securities, destacou que "ações de IA e tecnologia, incluindo fabricantes de chips de memória, recuaram devido aos avanços da CXMT na tecnologia de DRAM".
O efeito contágio na Ásia
O movimento de aversão a risco não se limitou à Coreia do Sul. Na volta de um feriado, o índice Nikkei de Tóquio caiu 1,82%, e o Taiex de Taiwan recuou 1,95%. A TSMC, principal fabricante de chips de Taiwan, também sentiu o impacto, cedendo 2%. No Japão, SoftBank e Tokyo Electron registraram quedas de 8,5% e 7,2%, respectivamente. Em contrapartida, o Hang Seng em Hong Kong apresentou uma leve alta de 0,30%, e as bolsas da China continental, Xangai e Shenzhen, operaram com ganhos modestos, subindo cerca de 0,10%. A bolsa australiana, por sua vez, manteve-se estável.
Implicações para o mercado de tecnologia
A forte reação do mercado sul-coreano evidencia a sensibilidade do setor de tecnologia, especialmente semicondutores, a notícias sobre inovação e concorrência. A capacidade da China de avançar em tecnologias críticas como a DRAM pode reconfigurar o cenário competitivo global, impactando não apenas as empresas diretamente envolvidas, mas também todo o ecossistema de inteligência artificial e eletrônicos que dependem desses componentes. A interrupção do pregão em Seul sinaliza a intensidade do pânico e a necessidade de uma recalibração das expectativas do mercado.
Resta saber se essa liquidação é um movimento pontual, motivado por um anúncio específico, ou o prenúncio de uma mudança estrutural mais profunda na dinâmica competitiva do setor de semicondutores. A velocidade com que as empresas sul-coreanas e seus pares globais responderão aos avanços chineses será crucial para a estabilização dos mercados — e a capacidade de inovar e manter a liderança tecnológica em um ambiente cada vez mais disputado definirá os próximos capítulos para este setor vital da economia global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





