O ateliê de Lara Saget, em Brooklyn, Nova York, é um universo em expansão. Desde 2018, ela o divide e reconstrói, transformando-o em um laboratório multifacetado para suas criações. O que começou como um espaço compartilhado com colegas de pós-graduação da NYU transformou-se, ao longo de oito anos, em um santuário pessoal onde a artista explora a materialidade em sua forma mais pura. "Eu amo meu ateliê!", declara Saget, que hoje ocupa dois terços do espaço original. A paixão se manifesta em áreas dedicadas à pintura, ao vidro, e a uma sala especial para suas pedras, rochas e relíquias antigas, um sonho de infância que se materializou.
O Espaço como Ferramenta
A dimensão do ateliê é um fator crucial para a obra de Saget, que frequentemente trabalha em larga escala. A luz e a amplitude do espaço não apenas viabilizam o tamanho de suas criações, mas também a segurança. "Eu posso colocar em palavras o quão grata sou por ser uma artista que trabalha em Nova York com um ateliê e EPIs adequados", reflete, lembrando de tempos passados onde a falta de conhecimento sobre os perigos dos materiais a levou a misturar resinas em seu próprio quarto. Um elevador de carga robusto, capaz de transportar toneladas, é essencial para manusear as pesadas pedras e peças de vidro que compõem suas instalações.
Rituais e Colaboração
Um dia típico no estúdio de Saget começa com meditação e exercício, preparando o corpo e a mente para o trabalho. Ao chegar, múltiplos projetos coexistem em diferentes estações. A música é uma constante, variando entre satsangs de seu professor espiritual para tarefas delicadas e músicas energéticas para trabalhos fisicamente exigentes. A artista valoriza a colaboração, especialmente no trabalho com vidro, que exige a sinergia de múltiplos artistas. Essa interação com outros profissionais não apenas enriquece suas peças, mas também forja amizades duradouras, construindo uma comunidade artística vibrante em Nova York.
A Busca por Expansão
Apesar da gratidão pelo espaço conquistado, o desejo por maior amplitude é uma constante. "Eu gostaria que fosse maior, a clássica história de Nova York", admite. Essa aspiração reflete a natureza expansiva de sua arte e a necessidade de mais espaço para abrigar suas coleções e projetos futuros. A referência ao The Met como museu favorito, com sua admiração pela escultura egípcia e helenística, sugere uma busca por permanência e grandiosidade, ecoando em sua própria prática artística. O vidro, seu material predileto, é descrito como um "sólido amorfo ou líquido, dependendo de como você pensa sobre isso", um estado de transição que fascina a artista.
O ateliê de Lara Saget é mais do que um local de trabalho; é um organismo vivo, moldado pela ambição, pela disciplina e por um profundo respeito pela materialidade. A presença de um mini trampolim, um lembrete lúdico para "permanecer brincalhão", encapsula a dualidade de sua prática: a seriedade da criação em larga escala e a leveza essencial para a inovação. Resta saber como essa busca por espaço e a exploração contínua dos materiais se manifestarão em suas próximas obras, expandindo os limites do que é possível em um estúdio nova-iorquino.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





